quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Natal

 A origem e o significado da comemoração



                                          Adoração dos Magos, óleo sobre tela de André Gonçalves  (s data)
                                                                             (Museu Nacional de Machado de Castro, Coimbra)


Contar a história e as origens do Natal, é algo controverso, e discutível por muitos entendidos e estudiosos da matéria, no entanto, e segundo a tradição da religião católica, é comemorado anualmente em 25 de dezembro. Já nos países eslavos e ortodoxos cujos calendários eram baseados no calendário juliano, o Natal é comemorado no dia 7 de janeiro. A data é o centro das festas de fim de ano e no cristianismo, o marco inicial do ciclo de Natal que dura 12 dias, pois segundo a lenda, este foi o tempo que levou para os três reis Magos chegarem até a cidade de Belém e entregarem os presentes (ouro, mirra e incenso) ao menino Jesus.
 
 

                                         Iluminura alusiva à Natividade de Master Francke  séc. XV (col. priv.)
 
 

Originalmente destinada a celebrar o nascimento do Deus Sol no solstício de inverno, na Roma antiga, o 25 de Dezembro era a data em que os romanos comemoravam o início do inverno. A Escandinávia pagã comemorava um festival de inverno chamado Yule, realizado do final de dezembro ao período de início do janeiro. Como o Norte da Europa foi a última parte do continente a ser cristianizada, as suas tradições pagãs tinham uma grande influência sobre o Natal. Os escandinavos continuam a chamar ao Natal  Jul. Portanto, acredita-se que haja uma relação deste fato com a oficialização da comemoração do Natal e por volta do séc. III, para estimular a conversão dos povos pagãos sob o domínio do império romano, a igreja Católica passou a comemorar o nascimento de Jesus da Nazaré neste dia. Esta comemoração começou em Roma, enquanto no cristianismo oriental o nascimento de Jesus já era celebrado em conexão com a Epifania (revelação ou a primeira aparição de Jesus aos reis magos), em 6 de janeiro.
A comemoração em 25 de dezembro foi importada para o oriente mais tarde, por João Crisóstomo já no final do séc. IV provavelmente, em 388, e em Alexandria, somente no século seguinte. Mesmo no ocidente, a celebração da Natividade de Jesus em 6 de janeiro parece ter continuado até depois de 380. No ano de 350 o Papa Júlio I, levou a efeito uma investigação pormenorizada, fazendo proclamar o dia 25 de dezembro como data oficial e o Imperador Justiniano em 529 declarou-o feriado nacional. Do ponto de vista cronológico, o Natal é uma data de grande importância para o Ocidente, pois marca o ano 1 da nossa História.



                                                              Sol sobre Stonehenge no solstício de inverno (por Simon Wakefield)



                                                                          Cena da Natividade num sarcófago romano do séc. IV
                                                                                          ( Palazzo Massimo alla Terma Roma)




 
O Presépio e Árvore de Natal

 
Na Roma antiga, os romanos penduravam máscaras de Baco em pinheiros para comemorar uma festa chamada de "Saturnália" entre os dias 17 e 23 de Ddzembro, que mais tarde viria a coincir com o nosso Natal. As esculturas e quadros que enfeitavam os templos para ensinar os fiéis, além das representações teatrais semi litúrgicas que aconteciam durante a Missa de Natal serviram de inspiração para que se criasse o presépio. A tradição católica diz que o presépio (do lat. praesepio) surgiu em 1223, quando São Francisco de Assis quis celebrar o Natal de um modo o mais realista possível e, com a permissão do Papa, montou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem Maria e de José, juntamente com um boi e um jumento vivos e vários outros animais. Nesse cenário, foi celebrada a Missa de Natal
   


                                                 Mosaico com festejos romanos a Saturnália (arq. pess)


A principal celebração religiosa entre os membros da igreja católica e de diversos outros grupos cristãos é o serviço religioso da véspera de Natal ou o da manhã do dia de Natal. Durante os quarenta dias que levam ao Natal, a igreja ortodoxa pratica o chamado jejum da natividade, enquanto que a maioria das congregações cristãs (incluindo a igreja Católica, a comunhão Anglicana, muitas igrejas Protestantes e os Batistas) iniciam a observância da temporada litúrgica do advento quatro domingos antes do Natal, os dois grupos entendem que o período é de limpeza espiritual e de renovação para a celebração do nascimento de Jesus. Os evangelhos canónicos de Lucas e Mateus contam que Jesus nasceu em Belém, na província romana da Judeia de uma mãe ainda virgem. No relato do Evangelho segundo S. Lucas, os pais de Jesus, José e Maria, viajaram de Nazaré para Belém, para comparecer a um censo e Jesus nasceu durante a viagem numa simples manjedoura. Anjos o proclamaram salvador do Mundo e pastores vieram adorá-lo. No relato de Mateus, astrónomos seguiram uma estrela até Belém para levar presentes a Jesus, nascido o "rei dos judeus". O rei Herodes ordena então o massacre de todos os meninos com menos de dois anos da cidade, mas a família de Jesus escapa para o Egipto e depois volta para Nazaré, um evento que tradicionalmente marca o fim do período conhecido como "Natividade".




                                                              A fuga para o Egito, por Fra Angélico ( Mus. de San Marco, Florença)




                                                                   Natal numa ilustração do século XII (arq. Wikimedia Commons)





 

                                                              Iluminura do Livro das Horas do Duque de Berry
                                                                                                          (arq. pess.)





As representações da Natividade,  têm sido um grande tema para os artistas cristãos desde o séc. IV. O presépio desde o séc. XIII enfatiza a humildade de Jesus e promove uma imagem mais terna d'Ele, um importante ponto de inflexão em relação às mais antigas imagens do "Senhor e Mestre", o que acabou por influenciar o ministério pastoral do cristianismo.
O sucesso dessa representação do Presépio foi tanta que rapidamente se estendeu por toda a Itália, logo se introduziu nas casas nobres europeias e de lá foi descendo até as classes mais pobres. Em Espanha, a tradição chegou pela mão do rei Carlos III, que a importou de Nápoles no séc. XVIII. A sua popularidade nos lares espanhóis e latino-americanos estendeu-se ao longo do séc. XIX e na França, não se fez até inícios do séc. XX. Em todas as religiões cristãs, é consensual que o Presépio é o único símbolo do Natal de Jesus verdadeiramente inspirado nos Evangelhos.



Presépio em alto relevo de retábulo espanhol do séc. XVII
                                                                                                              (arq. pess.)



                                                                       Presépio, óleo sobre tela do séc. XVIII, escola portuguesa
                                                                                                              (col. pess.)




                                                                             Presépio de finais do séc. XVIII ( Col. Mus. de Aveiro)





                                                                                    Atual presépio em porcelana (col. pess.)




                                                  Representação de presépio moderno em espaço comercial de Lisboa (arq, pess.)



A árvore de Natal é considerada por alguns como uma "cristianização da tradições e rituais pagãos em torno do solstício de inverno, que incluía o uso de ramos verdes, além de ser uma adaptação de adoração pagã das árvores. Outra versão sobre a procedência da árvore de Natal, a maioria delas indicando a Alemanha como país de origem, uma das mais populares, atribui a novidade a Martinho Lutero, autor da Reforma Protestante do séc. XVI. Conta a lenda que por volta de 1530, olhando para o céu através de uns pinheiros que cercavam a trilha, viu-o intensamente estrelado parecendo-lhe um colar de diamantes encimando a copa das árvores. Tomado pela beleza daquilo, decidiu arrancar um galho para levar para casa e colocou o pequeno pinheiro num vaso com terra, chamando a esposa e os filhos, decorou-o com pequenas velas acesas afincadas nas pontas dos ramos. Decorando-o um pouco mais com papéis e enfeites coloridos. Era o que ele vira lá fora. Afastando-se, todos ficaram pasmos ao verem aquela árvore iluminada a quem parecia terem dado vida. Nascia assim a árvore de Natal. Queria, desta forma, mostrar às crianças como deveria ser o céu na noite do nascimento de Jesus.



                                                                              Retrato de Martinho Lutero por Lucas Cranach
                                                                                                               (arq. pess.)




Cromo vitoriano de Natal com a árvore Luterana (col. pess.)




Esta tradição foi levada para o continente americano por alguns alemães, que foram viver  para os  EUA durante o período colonial. No Brasil, país de maioria cristã, as árvores de Natal estão presentes em todos os lares, pois, além de decorar, simbolizam alegria, paz e esperança. A tradição da árvore de Natal, é trazida para Portugal pelo rei consorte D. Fernando II (de origem alemã), em meados do séc. XIX. Em quase todos os países do mundo, as pessoas montam árvores de Natal para decorar casas e outros ambientes. Em conjunto com as decorações natalícias, as árvores proporcionam um clima especial neste período. Nas encenações diante das igrejas colocavam-se nas árvores maçãs para lembrar da história de Adão e Eva no paraíso. Mais tarde, as maçãs foram substituídas pelas bolas de vidro, um artesão soprador de vidro da cidade de Lauscha, no leste da Alemanha, inventou no séc. XIX os adereços em vidro colorido para decorar a árvore de Natal. Assim nasceram as bolas usadas até hoje como decoração.






                                                                      Gravuras do séc. XIX alusivas ao ritual da árvore de Natal
                                                                                                             (col. pess.)





                                                               Enfeites e bolas de Natal de início do séc. XX em vidro (col. pess.)





                                                      Ambiente e árvore de Natal em meados dos anos 20 (arq. pess.)




                                                    Árvore de Natal clássica com presentes (arq. priv.)




                                                       Exemplo de árvore de Natal moderna ( arq. priv.)





O Pai Natal: origem e tradição

A mais famosa e difundida destas figuras na comemoração moderna do Natal em todo o mundo é o Pai Natal, um mítico portador de presentes, vestido de vermelho, cujas origens têm diversas fontes. A origem do nome em inglês Santa Claus pode ser rastreada até o Sinterklaas, holandês, que significa simplesmente São Nicolau. Nicolau foi bispo de Mira, na atual Turquia, durante o séc. IV, por volta de 280 d. C.. Entre outros atributos dados ao santo, ele foi associado ao cuidado das crianças, à generosidade e à doação de presentes, como saquinhos com moedas próximo das chaminés das casa. Foi transformado em santo (São Nicolau) pela igreja Católica, após várias pessoas relatarem milagres atribuídos a ele.


                                         


                                           
                                                       São Nicolau, Bispo de Mira, a alegria das crianças
                                                                                                             (col. pess.)



                                                                        Postal ilustrado de meados do séc. XIX com o Pai Natal
                                                                                                               (col. pess.)




                                         

                                                        Postais de finais do séc. XIX com a representação de S. Nicolau (col. pess.)




A associação da imagem de São Nicolau ao Natal aconteceu na Alemanha e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Uma série de figuras de origem cristã e mítica têm sido associadas ao Natal e às doações sazonais de presentes. O Pai Natal em Portugal, Papai Noel no Brasil também conhecido como Santa Claus (na anglofonia), Père Noël e o Weihnachtsmann; São Nicolau ou Sinterklaas, Christkind, Kris Kringle, Joulupukki, Babbo Natale, São Basílio e Ded Moroz.
Até o final do século XIX, o Pai Natal era representado com uma roupa de inverno na cor castanho ou verde escura. Por volta de 1886, o cartunista alemão Thomas Nast criou uma nova imagem para o bom velhinho. A roupa nas cores vermelha e branca, com cinto preto, criada por Nast foi apresentada na revista Harper’s Weeklys neste mesmo ano. Em 1931, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o Pai Natal com o mesmo figurino criado por Nast, que também eram as cores do famoso refrigerante. A campanha publicitária fez um grande sucesso, ajudando a espalhar a nova imagem do Pai Natal pelo mundo.



                                                               Ilustração de Thomas Nast de 1886 para a revista Hrper's Weeklys
                                                                                                                  (col. pess.)
  


                                      Anúncio promocional da Coca Cola de 1931 na revista Harper's Weekleys
                                                                                                            (col. pess.)




                                                               Enfeite e decoração com figura do Pai Natal iluminado (col. pess.)




Em Portugal, é costume montar a árvore de Natal no dia 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do país. No dia 6 de janeiro, comemora-se o Dia de Reis, data que assinala a chegada dos três reis magos a Belém, encerrando a magia do Natal. Uma outra tradição do Natal é a decoração de casas, edifícios, elementos estáticos, como postes, pontes e árvores, estabelecimentos comerciais, prédios públicos e cidades com elementos que representam o Natal, como, por exemplo, as luzes de Natal. Havendo em algumas zonas até uma competição para ver qual casa, ou estabelecimento, teve a decoração mais bonita, com direito a receber um premio. O Natal é, sem dúvida, uma das celebrações mais complexas do calendário português, no qual se observam elementos de cultos solsticiais e dos mortos, cerimónias da liturgia cristã comemorativas do nascimento de Jesus, entre outros.




                                                        Iluminação de Natal na Rua do Carmo em 1959, foto de Armando Serôdio
                                                                                                         (arq. da C.M.L.)



  
                                                                                 Árvore de Natal caseira clássica (col. pess.)



                                                                            Iluminação de Natal na Baixa Lisboeta (arq. priv.)



                                                      Pormenor da iluminação da árvore de Natal Millenium em Lisboa (arq. pess.)



                                               Árvore de Natal no Largo de Camões em Lisboa (arq. priv.)




Atualmente, devido a uma crescente globalização, o Natal português começa a ser influenciado por outras culturas, sobretudo através dos filmes americanos, um dos factos que comprova este tendência é a substituição do menino Jesus pelo Pai Natal na entrega dos presentes; os tradicionais presépios, que representam o nascimento de Jesus (e que constituem um dos motivos mais notórios da estatuária popular portuguesa) têm agora de coexistir com a árvore de Natal, de origem germânica. Contudo, isto não quer dizer que as tradições natalícias portuguesas desapareceram, no dia 24 dezembro, véspera de Natal, à noite, em certas partes do país (especialmente no norte) tem lugar a ceia de Natal chamada de consoada. O termo propriamente dito de "Consoada" só surgiu no século XVII e era constituída então por uma refeição ligeira de peixe. Só se generalizou quando as pessoas mais abastadas passaram a comer uma refeição após terem assistido à Missa da Vigília do Natal. Nesta serve-se tradicionalmente bacalhau ou polvo cozido e a doçaria cerimonial como rabanadas, sonhos, mexidos, aletria (especialidades do norte) o arroz doce, coscorões e filhoses (especialidades do sul) também o famoso bolo rei (de origem francesa e divulgado em Portugal pela confeitaria Nacional em Lisboa) assim como as broas Castelar, começaram a fazer parte da tradicional doçaria portuguesa na mesa de Natal. Um costume já quase esquecido é o de durante a ceia do dia 24 evocar-se os mortos, com o seu lugar à mesa, fazendo-se uma duplicação da ceia para eles numa outra sala. Em certas zonas queima-se o madeiro do Natal, particular (nos lares), ou público (nos adros), à volta do qual se cantam canções tradicionais portuguesas. Com a consoada segue-se a oferta de presentes. Ainda no dia 24, no final da ceia, há a missa do galo à meia-noite, embora atualmente esta missa esteja a cair em desuso.
No dia 25 de dezembro, há um jantar melhorado com carnes diversas, em algumas zonas do país no almoço do dia 25 é servida a tradicional roupa-velha, feita com os restos da consoada do dia anterior.






                                                                    Mesa de consoada portuguesa com doces típicos de Natal
                                                                                        e as tradicionais filhoses (arq. priv.)






                                                  O tradicional bacalhau cozido da consoada (arq. priv.)






                                                     Mesa de jantar posta para a consoada (arq. priv.)






                                    Queima do tradicional madeiro do Natal na aldeia de Sta Margarida (arq. priv.)

                                                               Papa Fracisco presidindo à Missa do Galo na Basílica de S. Pedro,
                                                                               (foto de Leggi L'Articolo AFP  La Repubblica Itália)

Como o Natal simboliza Alegria, Paz, Amor e Esperança, votos de um Feliz Natal.


 
  
Árvore de Natal e presépio pessoal de 2014
 
 
 
 
  
  
 
   Texto:                                                                                                                                                                                            
   Paulo Nogueira 
 
 
 
 
                                                                                                                                                                                                                                                                                                   
 
Fontes e bibliografia:
Catolicismo Romano in publicação on line. 
WALSH, Joseph J. Were They Wise Men Or Kings?: The Book of Christmas Questions. Louisville, Ky: Westminster John Knox Press, 2001. p. 8.
KAUL, Vivek. "How Coca-Cola turned Santa Claus red", 5 Julho 2010.
 
 
 
 

                  
                                                                                                                 
   





                                                                                                                              





sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A Guerra das Guerras


Primeira Grande Guerra Mundial e a participação de Portugal no conflito




 

 
A Primeira Guerra Mundial, ou também conhecida como a Grande Guerra ou a Guerra das Guerras, foi uma guerra global centrada na Europa. Entre as diversas e complexas causas deste conflito, incluem-se um complexo sistemas de alianças e as políticas imperialistas estrangeiras das grandes potências da Europa, como eram o Império Alemão, Império Austro – Húngaro, Império Russo, Império Otomano, Império Britânico, a Terceira República Francesa e a Itália. Assim, em 28 de Junho de 1914, o assassinato do arquiduque Francisco Fernando da Áustria, herdeiro do trono da Áustria – Hungria e de sua esposa Sofia, duquesa de Hohenburg, pelo nacionalista jugoslavo, o estudante Gravilo Princip, em Sarajevo, na Bósnia, foi o gatilho imediato da guerra, que resultou em um ultimato Habsburgo contra o reino da Sérvia. Isto após um mês de manobras diplomáticas entre a Áustria – Hungria, Alemanha, Rússia, França e Reino Unido, que ficou conhecido como a crise de Julho.


                                  O arquiduque Francisco Fernando e sua esposa momentos antes do assassinato
                                                                                        (arq.priv.)                                                               
 
                                                                                                                                 

     
     Assassinato do arquiduque Francisco Fernando da Áustria em Sarajevo
                                                                                        (arq. priv.)                                                                                                         


A 28 de Julho do mesmo ano, o conflito iniciou-se com a invasão austro – húngara da Sérvia, com o bombardeamento de Belgrado, capital da Sérvia, seguida pela invasão alemã da Bélgica, Luxemburgo e França, e um ataque russo contra a Alemanha. O Império Alemão  liderado pelo kaiser Guilherme II, mobilizou-se em 30 de Julho de 1914, pronto para aplicar o denominado "Plano Schlieffen", que planejava uma evasão rápida e massiva da França para eliminar o exército francês e em seguida, virar a leste contra a Rússia. A França só se mobilizou na noite de 2 de Agosto, quando a Alemanha invadiu a Bélgica e atacou tropas francesas. O Reino Unido declarou guerra à Alemanha em 4 de Agosto de 1914, após uma resposta considerada insatisfatória para o ultimato britânico de que a Bélgica deveria ser mantida neutra. A par de tudo isto, algumas das primeiras hostilidades de guerra ocorrem no continente africano e no Oceano Pacifico, nas colónias e territórios das nações europeias envolvidas. Este conflito envolveu as grandes potências de todo o mundo, que se organizaram em duas alianças opostas, os Aliados, com base na Tríplice Entente, entre Reino Unido, França e o Império Russo; os Impérios Centrais, originalmente designado de Tríplice Aliança, entre o Império Alemão, Áustria – Hungria, Bulgária, Império Otomano e Itália, sendo que a Itália não entrou em guerra e mais tarde estas alianças ao se reorganizarem a Itália lutou pelos Aliados. Depois da marcha alemã em Paris ter levado a um impasse, a chamada Frente Ocidental estabeleceu-se numa batalha de atrito estático com uma linha de trincheiras que pouco mudou até 1917. Na chamada Frente Oriental, o exército russo lutou com sucesso contra as forças austro – húngaras, mas foi forçado a recuar da Prússia Oriental e da Polónia pelo exército alemão. Outras frentes de batalha adicionais abriram-se depois do Império Otomano entrar na guerra ainda em 1914, Itália e Bulgária em 1915 e a Roménia em 1916. De destacar o Império russo, que entrou em colapso em Março de 1917 e a Rússia deixou a guerra após a Revolução de Outubro do mesmo ano.


                                                     Alianças militares na Primeira Grande Guerra


   


                                                     Líder do império o kaiser Guilherme II (arq. priv)
    
              
                                                                                                       



Ordem de mobilização geral francesa (arq. priv.)

                                                           
               Embarque de mobilizados franceses para novas incorporações militares (arq.pess.)                                                                                                
                                                             


                                                                                       Militares do exército francês (arq. pess.)


               
                                                               
                                                                   Militares do exercito inglês (arq. pess.)

                                                                                         
                                                                                     Militares do exercito alemão (arq. pess.)

                                                                                   
                                                                                      Militares do exercito otomano (arq. pess.)


                                                    
                                                                                     Postal  bordado  alusivo à união da Tríplice Entente
                                                                                                                        (col. pess.)
 

                                                                            
                                                          Postal da época com artilharia francesa em campanha (col. pess.)


    
                                                 Transporte de militares Aliados em comboios para os campos de batalha (arq. pess.)
                                                                                                           
                                                                           
            

                                          
                     Soldado inglês na trincheira junto a camaradas mortos (arq. priv.)        
   

      
                                                                                         Soldados alemães na trincheira (arq. pess.)

                                         
                         Soldados franceses em combate usando metralhadora (arq. priv.)

                                                        
                                                          
             
                                                                          Soldados usando artilharia pesada durante os combates (arq. priv.)

      
                                           
                                                                                                       
   
                               O célebre piloto aviador alemão Manfred von Richtofen, conhecido                                        
                                        como o Barão Vermelho e membros da sua esquadrilha
                                                                                               (arq. priv.)

                                    
                                                                    Soldados Aliados no campo de batalha junto a tanque de guerra (arq. priv.)
                                                                                                                       

                            
                                                            
                                 Soldados alemães com metralhadora anti aérea
                                      munidos de mascaras anti - gás (arq. priv.)
                                                                            

                  
                                                                              Soldados alemães e montada usando mascaras anti - gás (arq. priv.)

                                                                                    
         
                                                                                
                                                              
         
                                                                                              Cartaz cia. ferroviária, alusivo a Verdun
                                                                                         durante a Primeira Grande Guerra (col. pess.) 
                                                                                                                                                                                  
                                                                                                                                       



   
                                                            Soldado francês descansando (arq. priv.)

                                                                      

          

                                                      Postais ilustrados franceses alusivos à guerra
                                                                                                                                 (col. pess.)


          
                      Soldado descansando no campo de batalha junto a crucifixo (arq. priv.)
                                                                                     
 
                                      
                                                          Artilharia inglesa na Batalha de Somme em 1916 (arq. priv.)

                          

                                    Postal inglês alusivo partida dos soldados para a frente de batalha (col. pess.)
                                                                                   

                                        
                                                      Combate na Batalha de Somme em 1916 (arq. priv.)

                                                            
                                                                                                                
Os avanços tecnológicos militares, foram na prática um poder de fogo defensivo mais poderosos que as capacidades ofensivas, tornando esta guerra extremamente mortífera. Para além do desenvolvimento das armas ligeiras com metralhadoras cada vez mais rápidas e potentes, novos navios de combate, submarinos, assim como o uso da aviação e zepplins pela primeira vez para fins militares, o desenvolvimento da artilharia, como o famoso e designado "Canhão Paris", também conhecido como "Canhão Kaiser", os primeiros carros blindados de combate, lança chamas e o uso do arama farpado. Os alemães começaram a usar gás de cloro em 1915, sendo o início da utilização das armas químicas, e logo depois ambos os lados usavam a mesma estratégia, iniciando a utilização do designado gás mostarda. Estratégia esta que tornou a vida nas trincheiras ainda mais miserável, sendo um dos mais temidos e lembrados horrores desta guerra. Como curiosidade, no início desta guerra, chegando a época natalícia, há relatos de os soldados de ambos os lados cessarem as hostilidades, sem consentimento do comando, saindo mesmo das trincheiras e cumprimentarem-se em tréguas de Natal.

 

 

 
                  Soldados Aliados utilizando moderna metralhadora Lewis (arq. priv.)
 

 
                                                 
                                             
                          
                                                                                                          Moderno couraçado de guerra (arq. priv.)



                                              Submarino Norte Americano (arq. pess.)                 
 

 

 

 
                     
                                                                                               Zepplin sobrevoando vasos de guerra (arq. priv.)

                                     
                                                                                                           
                                                   Avião militar francês (arq. priv.)

                               

                                                                           O designado Canhão Paris ou Canhão Kaiser (arq. priv.)
                                                                                  
                                                                                                    
                                                              
                                     Artilheria dos Aliados em combate (arq. priv.)

                                                                                 

                                                                       Moderno tanque de guerra na Batalha de Verdun (arq. priv.)


                                                           
             

                     Soldados alemães usando lança chamas nas trincheiras (arq. priv.)


                                                                                        
                              
                                                                                       Soldados Aliados em combate junto a arame farpado (arq. priv.)
          
                                                   


                                    Soldados alemães lançando gás tóxico (arq. priv.)


                                    
                                                                                                       
                                                           Soldados Aliados utilizando mascaras anti - gás na trincheira (arq. priv.)


                                        
                                                                                          
                                                             Soldados alemães comemorando o seu Natal na trincheira (arq. pess.)


É a partir de Janeiro de 1917, que Portugal envia as suas primeiras tropas do Corpo Expedicionário Português (CEP), para a guerra na Europa, em direção à Flandres, sendo em França que Portugal se reúne aos aliados ingleses e se envolve em combates nesta guerra. Tendo como homens – chave do (CEP) até Abril de 1918, os Generais Manuel Gomes da Costa, Fernando Tamagnini de Abreu e Silva e Simas Machado. Em Março de 1916, apesar das tentativas da Inglaterra para que Portugal não se envolvesse no conflito, este antigo aliado, decidiu pedir ao estado português que apreende-se todos os navios germânicos na costa lusitana. Tal atitude justificou a declaração oficial de guerra por parte da Alemanha a Portugal em 9 de Março de 1916, apesar de já haver combates em África desde 1914.




 
Cartaz comemorativo da aliança
entre Portugal e Inglaterra
                                                                            (arq. priv.)


                                           
                                                                           Soldados do Corpo Expedicionário Português CEP
                                               a caminho do embarque em Lisboa (arq. priv.)


                                                          Barco partindo do cais de Alcântara com militares portugueses em 1917
                                                                                                                  (arq. priv.)
                                                                     

                        
                                                         Divertimento a bordo de soldados portugueses
                                                                                   a caminho do contingente africano (arq. priv.)

           
                                            
                                                                         Acampamento de soldados portugueses no Lubango,
                                                                                        Sul de Angola em 1915 (arq. priv.)




                                                                             Generais Tammagnini, Hacking e Gomes da Costa
                                                                                              reunidos em França (arq. priv.) 
                                                  
                                                                 Formatura e revista a tropas portuguesas em França (arq. priv.)
                                                                

                                                                                    Postal ilustrado português dedicado aos
                                                                                soldados que partiam para a guerra (col.pess.) 
                                                                             
                                                              
 
                                                          
 

                                                       
Neste enorme esforço de guerra, chegaram a estar mobilizados quase 200 mil homens, as perdas atingiram quase 10 mil mortos e milhares de feridos, para além de custos económicos e sociais gravemente superiores à capacidade nacional. Recrutados nas diferentes terras portuguesas de norte a sul do país, concentram-se em Tancos durante o ano de 1916 e em 1917, onde recebem instrução, embarcados em Sta Apolónia, Santos e Alcântara com destino ao porto de Brest, seguindo dai em comboios até à Flandres, onde recebem formação novamente por parte dos ingleses assim como parte do armamento. O Corpo Expedicionário Português (CEP), a 2 de Abril de 1917, a coberto da bruma da madrugada, entram nas trincheiras num total de 55 000 homens. Ai encontram um novo tipo de guerra, enfrentam o frio, a neve, a lama pegajosa, ratos, parasitas, o barulho ensurdecedor dos bombardeamentos e a surpresa dos gases asfixiantes. Habituam-se ao chamado corned beef, termo dado à ração de combate fornecida pelos ingleses, que os faz suspirar pelo bacalhau e pão escuro nacional. Adoecem, vêm corpos mutilados e enterram camaradas. Curiosamente neste clima de terror, os soldados portugueses criam o seu próprio calão de guerra, muitos destes termos tendo ficado como "Ir aos arames",  "Arraite",  "Avenida Afonso Costa", "Balázio", "Bife", "Boche", "Cachapin", "Cavanço", "Lãzudo", "Recoca", "Toupeiras", "Trincha", "Luísa", "Básicos" entre muitos mais que ficaram. Nos momentos de descanso aproveitam para esquecer a guerra, jogando às cartas ou ao dominó, cantando fado, fazendo artefactos como futuras recordações de guerra, escrevendo cartas aos familiares ou namorando as francesas, mesmo sem saber uma palavra do seu idioma. Sentem medo, desolação e cansaço. Os combatentes constroem uma relação muito especial com o sagrado para garantir a estabilidade psicológica e o apoio capaz de assegurar a sobrevivência nos campos de batalha, para além de acenderem velas nas capelas destruídas que encontram, adoram as imagens e os crucifixos que vão encontrando perto dos campos de batalha na Flandres, trazem ainda alguns com eles amuletos e figuras sagradas cristãs, mais tarde punidas por alguns oficiais. Na frente de batalha, combatem com coragem e heroísmo, outros desertam (como o soldado João Ferreira de Almeida que é fuzilado em 1917, represtinando a lei para crimes de guerra em 16-09-1916), outros revoltam-se ou são feitos prisioneiros pelos alemães. Quase conhecem a sua destruição, no dia 4 de Abril de 1918 e as tropas amotinaram-se em pleno campo de batalha. O Corpo Expedicionário Português (CEP) vivia dias de horror e inferno, do dia 9 para 10 de Abril daquele ano, na Batalha de La Lys, quando a 2ª Divisão do CEP constituída por cerca de 20 000 homens, dos quais somente 15 000 estavam nas primeiras linhas, comandados pelo general Gomes da Costa, retirava dos campos de batalha para ser substituído, sofre um dos maiores bombardeamentos do exército alemão seguido de um ataque em massa alemão com grande resistência por parte dos portugueses, o CEP acaba por desaparecer.


                                                        Soldados do corpo Expedicionário Português CEP, na despedida (arq. priv.)


                                                                             Contingente de soldados portugueses de partida
                                                                             para a Flandres no cais de Sta Apolónia (arq. priv.)
                                                                                  
      
                                                             Chegada de contingente de soldados portugueses ao porto de Brest
                                                                                                               (col. pess.)

               
 

                                  
                                     
                                                                 Embarque de tropas do corpo Expedicionário Português CEP
                                                                                  em estação ferroviária na França (arq. pess.)
 
 
                                               
 

 

                                                                 Capacetes utilizados pelo Corpo Expedicionário Português CEP 
                                                                                        na Primeira Grande Guerra (col. pess.)


                                                                            Soldado do Corpo Expedicionário Português CEP,
                                                                                                com equipamento (arq. priv.) 


                           
 
                                                                  Receção de soldados do Corpo Expedicionário Português CEP
                                                                                           por populares em França (arq. priv.)
 
 
                                                               Soldados do Corpo Expedicionário Português CEP em combate
                                                                                                             (arq. priv.)
 


                                                               
                                              
                                                                             Soldado do Corpo Expedicionário Português CEP
                                                                                  utilizando periscópio na trincheira (arq. priv.)


                                                                   Soldados atolados na lama transportando camarada ferido
                                                                                           no campo de batalha (arq. priv.)

 

                                                                Soldados confraternizando na trincheira em momento de pausa
                                                                                                                  (arq. priv.)
                                           
 







                                                                             Artefactos, feitos pelos soldados nas trincheiras
                                                                                       nos seus tempos livres
(col. pess. e priv.) 
 




                                                                  Vida nas trincheiras do Corpo Expedicionário Português CEP
                                                                                                                    (col. pess. e arq. priv.)
 

 

 
                                                                 Soldados nas trincheiras durante a Batalha de La Lys (arq. priv.) 


 
                                                                               Soldados Aliados no campo de batalha (arq. priv.)

 
                                                                  Soldados alemães na trincheira no campo de batalha (arq. priv.) 

                                                                              
                                                                                 Soldados Aliados utilizando obus (arq. pess.)




                                                                      Homens e cavalos mortos no campo de batalha (arq. priv.) 


 
                                                                 Postal com sepultura de soldado português no campo de batalha
                                                                                                                  (col. pess.)
       
 


                                                                                        Soldado português junto a crucifixo
                                                                                                              (col. pess.)
 

Em quatro horas de batalha, as tropas portuguesas perderam cerca de 7500 homens, entre mortos, feridos, desaparecidos e prisioneiros, ou seja, mais de um terço dos efetivos, entre os quais 327 oficiais. Era o princípio do fim da guerra para os portugueses. Assim o CEP retirou-se para a retaguarda dos Aliados, alguns efetivos foram integrados no exército inglês, outros utilizados para mão – de - obra na abertura de trincheiras, o que foi desmoralizando cada vez mais os soldados portugueses. Apesar de tudo isto, ainda se formaram algumas divisões que participaram na marcha da vitória em Paris em 1919, trazendo assim alguma glória e honra para Portugal. Entre alguns heróis portugueses esquecidos desta guerra, salienta-se o Soldado Milhões de seu nome Aníbal Augusto Milhais, que se destacou por atos heroicos na Batalha de La Lys, em que sozinho na trincheira, munido apenas da sua metralhadora Lewis, ou "Luísa" como era designada em calão das trincheiras, enfrentou as colunas de alemães que se atravessaram no seu caminho o que possibilitou a retirada de outros camaradas portugueses e ingleses para posições defensivas na retaguarda. Depois perdido vagueando por trincheiras e campos, ora de ninguém ora ocupados pelo inimigo, foi-se defendendo, até que quatro dias depois encontra um médico militar escocês, salvando-o de morrer afogado num pântano. Valeu-lhe as palavras do comandante Ferreira do Amaral que o saudou com as palavras que ficaram para a história "Tu és Milhais, mas vales Milhões". Foi premiado com várias condecorações estrangeiras e a mais alta condecoração honorária nacional, a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor , Lealdade e Mérito. Outros heróis portugueses se salientaram nesta guerra como o primeiro - tenente José de Carvalho Araújo, conhecido como o Mártir do Mar e o primeiro piloto de guerra português Óscar Monteiro Torres, conhecido como O Cavaleiro Voador.



                                                  Soldado Milhões entre outros soldados portugueses 
                                                                           condecorados da Primeira Guerra Mundial (arq. priv.)
                                                                                        
                        

                                                                          
                                        Óscar Monteiro Torres conhecido como O Cavaleiro Voador (col. pess.)



                                                                Heróis portugueses da Primeira Grande Guerra (arq. pess.)


                                                                                                                                                   
Das diversas frentes que na retaguarda apoiam o esforço de guerra, destaca-se a feminina, desde as enfermeiras da Cruz Vermelha, mais de 50, que se instalam na Flandres até as mulheres que em Portugal organizam campanhas a favor das vítimas, passando pelas que dão apoio logístico nas diversas áreas. Portugal participou no primeiro conflito mundial ao lado dos Aliados, o que estava de acordo com as orientações da república ainda recentemente instaurada, a crença que era imperativo entrar nesta guerra pelo progresso nacional, ao lado das democracias, o compromisso com a aliança com Inglaterra, tradicional aliada de Portugal, e evitar a evasão e influência alemã nas populações indígenas no sul de Angola e norte de Moçambique, evitando insurreições locais contra o domínio português, no entanto os objetivos que levaram os responsáveis políticos portugueses a entrar na guerra, saíram gorados quase na sua totalidade. A alimentação na frente de batalha era sobretudo à base de carne, vegetais, enlatados e biscoitos, sendo os alimentos frescos uma raridade. Doenças floresceram nas condições caóticas da guerra, apenas em 1914 piolhos infetados pelo tifo epidémico, mataram 200 mil pessoas só na Sérvia e mais tarde haviam de causar mais vítimas em outros países como Portugal. Além disso a grande epidemia da gripe em 1918, que se espalhou por todo o mundo, a pandemia de gripe espanhola como ficou conhecida, que matou pelo menos 50 milhões de pessoas. Depois de uma ofensiva alemã em 1918 ao longo da Frente Ocidental, os Aliados forçaram o recuo dos exércitos alemães numa série de ofensivas de sucesso e as forças dos Estados Unidos começam a entrar nas trincheiras. Este conflito acabou por envolver as grandes potências de todo o mundo.

 


                                                 Enfermeiras da Cruz Vermelha portuguesa no setor recuado do CEP na Flandres
                                                                                                              (arq. pess.) 
                                                                                                 

 
                                                                           Publicação de 1916 com alusão aos soldados ingleses "Tommy"
                                                                                                        na frente de batalha (col. pess.)


                                                                                        Cartaz anuncio de recrutamento norte americano
                                                                                         inspirado na lendária figura do tio Sam (col. pess.)



  Cartaz anunciando a entrada dos EUA na guerra
 ao lados dos Aliados Britânicos 
                                                                                                                               (col. pess.)


                                                                               Publicação da época alusiva à entrada dos EUA
                                                                                                                 (col. pess.)



                                                                       Esquadrilha militar norte americana em ação (arq. priv.)



                                                          Soldados da Aliança em combate na Primeira Guerra Mundial (arq. priv.)


                                                                      Soldados do CEP recebendo ração na trincheira (arq. pess.)


 
Militares canadianos abrindo trincheiras (arq. priv.)
 
                              
A Alemanha ficará completamente exaurida, insistindo até Setembro de 1918 numa "paz vitoriosa". A exaustão e derrota militar é acompanhada da derrota política, assim como problemas com os seus revolucionários. A 29 de Setembro, os comandantes Hindenburg e Ludendorff apresentaram uma proposta de armistício. Sem resistência alguma, imperador e príncipes abandonam os seus tronos em Novembro de 1918 e exiliam-se, ninguém levantou a voz em defesa da monarquia, que caíra em descrédito e a Alemanha torna-se numa república. A então designada República de Weimar, que neste ponto, concordou com um cessar – fogo e será a 11 de Novembro de 1918, às 2h 05 da madrugada, num episódio mais tarde conhecido como Dia do Armistício, que é assinado numa carruagem restaurante da CIWL na floresta de Compiègne no norte de França. Os principais signatários foram o Marechal Ferdinand Foch, comandante chefe das forças da Tríplice Entente, o almirante inglês Sir Rosslyn Wemyss e Matthias Erzberger, representante alemão. Termina assim esta guerra com a vitória dos Aliados. Seguindo-se depois ao Armistício o Tratado de Paz de Versalhes, celebrado em 1919, os termos do acordo foram severos para Alemanha, segundo o qual, a Alemanha, derrotada, era obrigada a reduzir as suas tropas pela metade, pagar pesadas indemnizações aos países vencedores, ceder todas as colónias e restituir a região da Alsácia – Lorena à França.

 

 

 
                                                          Assinatura do Armistício e seus intervenientes no interior da carruagem
                                                                                                                              (arq. pess.)


                                                                                   Fotografia de publicação da época com os
                                                                                    intervenientes no exterior da carruagem
                                                                                           após a assinatura do Armistício 
                                                                                                              (col. priv.)





                                                                              Alusão em jornais portugueses à assinatura do
                                                                                    Armistício em 11 de Novembro de 1918
                                                                                                                               (col. priv.)
      

 


 

Neste conflito que durou, de 28 de Julho de 1914 a 11 de Novembro de 1918, destacam-se entre muitas, algumas das batalhas mais marcantes, assim logo em 1914 a Batalha de Liège, Batalha das Fronteiras, Batalha de Mulhouse, Batalha Stallupönen, Batalha das Ardenas, Batalha Krasnik, Batalha de Saint – Quentin, Batalha do Marne, Batalha Ypres , Batalha Givenchy, Primeira Batalha de Champagne.

em 1915 a Batalha de Dogger Bank, Batalha de Neuve Chapelle, Segunda Batalha de Ypres, Batalha de Galípoli, Batalha de Festubert, Batalha de Varsóvia, Batalha de Loos, Segunda Batalha de Champagne, Batalha de Kosovo.

em 1916 a Batalha de Verdun, Batalha de Hulluch, Batalha da Jutlândia, Batalha do Somme, Batalha Guillemont.

em 1917 a Batalha de Arras, Batalha de Nivelle, Batalha de Messines, Batalha de Cambrai.

em 1918 a Batalha da Primavera, Batalha de Moreuil Wood, Batalha de La Lys, Batalha de Cantigny, Segunda Batalha do Marne, Batalha de Amiens, Batalha de Sharqat.
 

Nesse rescaldo nove milhões de soldados morreram, quatro grandes impérios foram destruídos e o panorama geopolítico da Europa e Médio Oriente alterar-se-á para sempre.

 

 
                                                                  Panorama da Europa após a Primeira Grande Guerra Mundial




                                                                               Soldados do CEP feitos prisioneiros (arq. priv.)


      
                                                                

Após o final da guerra, alguns soldados portugueses desmobilizados, temem pelo regresso à Pátria assim como a incerteza do futuro que os espera, fazendo com que muitos construíssem laços afetivos com França e lá ficassem temporária ou definitivamente, optando por casamentos com francesas e constituindo família. Mas no entanto em Março de 1919, regressam a Portugal os últimos expedicionários portugueses, com saudades da família e da terra natal. Para trás ficava uma guerra devastadora sem sentido que, entre mortos, feridos e prisioneiros, marcou a vida de 14062 portugueses, recebendo uns condecorações com a Cruz de Guerra e sendo outros completamente esquecidos, ergueram-se monumentos aos combatentes quer em Portugal, quer nos demais países envolvidos no conflito, homenagearam-se ainda os mortos desta guerra em cemitérios, assim como aos soldados desconhecidos dos seus países. Foi como todas as guerras, um conflito de violência e brutalidade do homem para com o e seu semelhante, que para além das vítimas e estropiados que fez (mutilados e gaseados), traumas psicológicos devido as neuroses de guerra, deixando um rasto de destruição e consequências para as gerações vindouras. Prova, 100 anos passados do seu início, que as guerras, que em alguns casos ainda se mantêm e fazem em muitas nações, não são definitivamente a solução para a harmonia do mundo nem dos homens. Sendo portanto que nenhuma guerra faz sentido...


 

 
                                                    Frente e verso da Cruz de Guerra 3ª classe, condecoração militar atribuída aos
                                                                combatentes portugueses da Primeira Grande Guerra Mundial
                                                                                                            (col. pess.)
   



                                                                       Cemitério português em Richebourg na França (arq. priv.)
                                                                                                                                               
 

 


                                                               Vagão transportando os restos mortais do soldado desconhecido
                                                                                               na estação de Lisboa - Rossio
                                                                                                                (arq. priv.) 




 
                                                             Aspetos do túmulo do soldado desconhecido no Mosteiro da Batalha
                                                                                                                  (arq. priv.) 
 



                                                            Monumento aos combatentes da Grande Guerra em Lisboa (arq. priv.)


                             


                                       
Presto aqui homenagem a todos os combatentes desta guerra, que nela lutaram com bravura e heroísmo, aos que nela pereceram, assim como aqueles que regressaram, em especial ao meu avô materno, que não conheci, José Claro André, conhecido como "Zé Guardado", natural de Penha Garcia na Beira Baixa, que fez parte do Corpo Expedicionário Português (CEP) entre 1917 e 1919.

 
 
                                                                       José Claro André, "Zé Guardado", (meu avô) regressou
                                                                           à sua terra natal (Penha Garcia) que muito honrou, 
                                                                                               em Março de 1919 (arq. pess.) 
                                                                                    


Texto:
Paulo J. André Nogueira

Fontes e bibliografia:
MARQUES, Isabel Pestana, "Das Trincheiras, com Saudades" A vida quotidiana dos militares portugueses na Primeira Grande Guerra Mundial. Lisboa, A Esfera dos Livros, 1ª edição Março 2008
KEEGAN, John (1998), "The First World War", Hutchinson, General Military History