sexta-feira, 19 de junho de 2015

PRAÇAS DE TOUROS EM LISBOA




 
 

Amada por uns contestada por outros, a tauromaquia e a arte de tourear fazem parte de uma tradição bem portuguesa. Não se pretende aqui neste artigo criticar ou apoiar o que quer que esteja relacionado com ela, mas sim evocar essa tradição, assim como os locais onde se praticou e continua a praticar na cidade de Lisboa.
Na cultura da Península Ibérica, o chamado Circo de Termes, parece ter sido um local sagrado onde os celtiberos praticavam o sacrifício ritual dos touros. A estela de Clunia (pedra com esculturas em relevo), é a mais antiga representação do confronto de um guerreiro com um touro.
As representações taurinas de variadas fontes arqueológicas encontradas na Península Ibérica, tais como os vasos de Líria, as esculturas dos Berrões, a bicha de Balazote ou o touro de Mourão estão, quase sempre, relacionadas com as noções de força, bravura, poder, fecundidade e vida, que simbolizam o sentido ritual e sagrado que o touro ibérico teve na Península. O registo pictórico mais antigo da realização de espectáculos com touros remete à ilha de Creta (Knossos) e esta arte está presente em diferentes vestígios desde a antiguidade clássica, sendo conhecido o fresco da tourada no palácio de Cnossos, em Creta. O imperador romano Júlio César, durante a exibição do designado venatio (espectáculos nos anfiteatros onde os protagonistas eram animais selvagens), introduziu uma espécie de "tourada" onde cavaleiros da Tessália (antiga região administrativa da Grécia), perseguiam diversos touros dentro de uma arena, até os touros ficarem cansados o suficiente para serem segurados pelos cornos e depois executados. O uso de uma capa num confronto de capa e espada com um animal numa arena está registado pela primeira vez na época do imperador Cláudio.  




      Estela de Clunia celtibera  de 14-37 d. C., documentada por Loperráez antes de desaparecer em 1775 (col. priv.)
  
      

                                             A Bicha de Balazote do séc. VI a.C. (Museu Provincial de Albacete)



    A tourada fresco do palácio de Knossos em Creta, 1550-1450 d.C. (Palácio de Knossos em Creta, Greece)


 
                                          Exibição do designado venatio num confronto de capa e espada com um animal (col. pess.)



As touradas como as conhecemos hoje nasceram no período do Iluminismo, entre o século XVII e XVIII, e realizavam-se nas praças públicas das cidades. Na cidade de Lisboa o Terreiro do Paço (actual Praça do Comércio) e o Rossio, eram os locais usados para as touradas. Desde o século XVIII, as touradas começaram a realizar-se em recintos fechados criados para correr os touros, as actuais praças de touros. A tradição do toureio a cavalo referida já nas crónicas de Estrabão, citando os antigos lusitanos como amigos dos jogos hípicos, com touros; outras que dão notícia de D. Sancho II (1209 - 1248), alanceando touros ao estilo da época, as de Fernão Lopes em relação a D. Fernando e as de Garcia de Resende que descrevem el-rei D. João II (1455 - 1495), no gosto pelas touradas, fazendo frente e matando à espada um touro que em Alcochete lhe saiu ao caminho quando acompanhado da rainha. Outras crónicas descrevem façanhas do rei D. Sebastião (1554 - 1578), como toureiro a cavalo, e dizem que o neto de Carlos V (1500 - 1558), rojoneou (matou à espada) um touro em Cadiz, de abalada para o "sonho" de Alcácer.  Existiram na cidade de Lisboa praças de touros desmontáveis no Rossio, no Terreiro do Paço, na Junqueira, no Largo da Anunciada, também no local onde está actualmente o Jardim da Estrela e desde 1741 segundo registos, no largo do Campo Pequeno (ou Alvalade O Pequeno). Também segundo alguns registos, no ano de 1767, terá havido no local do Campo do Curral, junto ao matadouro com o mesmo nome, uma praça de touros; após o Terramoto de 1755 passa este local a chamar-se  Campo de Santa Ana, desaparecendo essa praça. A 4 de junho de  1790, na Estrada do Salitre (actual rua com o mesmo nome), perto de onde mais tarde se veio a instalar o famoso Teatro do Salitre e o Circo Price, foi inaugurado um tauródromo, com arena em forma quadrada, tendo de um lado camarotes para público de  categoria elevada e do outro lado bancadas para o povo. Designada de Praça do Salitre, foi mandada construir por um grupo de amantes do espectáculo tauromáquico, o dia da sua inauguração foi de grande festa segundo as crónicas da época, o povo encheu todos os lugares, e assistiram a essa corrida inaugural o príncipe D. João que mais tarde viria a ser o rei D. João VI (1767-1826) e o intendente Pina Manique (1733-1805). As crónicas não citam nomes mas sabe-se que tomaram parte alguns cavaleiros e bandarilheiros portugueses além de "matadores de espada espanhois", como então se dizia, com as suas respectivas esquadrilhas de picadores e bandarilheiros. Esta praça foi frequentada por muitos monarcas inclusive por D. Miguel (1802 - 1866), poucos eram os toureiros portugueses existentes à época, vindo a maioria de Espanha, ouve no entanto um cavaleiro português tauromáquico de grande nome na época, João dos Santos Sedvem  que naquela praça se exibiu, outros portugueses passaram por lá como os cavaleiros Manuel José de Figueiredo e António Roberto da Fonseca, entrem outros, a Praça do Salitre existiu naquele local até 1838. A última corrida de touros na Praça do Salitre aconteceu em 20 de agosto de 1837.  Muitos monarcas foram toureiros a cavalo, até D. Miguel que farpeou em Salvaterra e na praça que existiu na zona de  Xabregas em Lisboa, esta que teve redondéis de madeira desmontáveis. Antes dos espectáculos em praças de touros, o povo podia assistir às chamadas "esperas de touros". Estas esperas tinham lugar aos sábados à tarde fora de Lisboa, delimitada pela Arcada, o Chiado e a Praça da Alegria de Baixo. Os aristocratas optavam pelos arredores da cidade. Nestas esperas de touros, o gado era conduzido desde as suas lezírias por campinos, seguidos por marialvas, o povo por sua vez apinhava-se em locais estratégicos como na Calçada de Carriche e Estrada do Lumiar para daí ver tudo em primeira mão, até à Praça do Salitre e mais tarde à de Sant'Ana. Estas esperas de touros eram acompanhadas por festas populares em que a bebida e o fado estavam presentes e muito associados.




                                        Aspeto da arte da tauromaquia no período do renascimento (col. pess.)



                               Aspecto do Terreiro do Paço em 1662 por Dirk Stoop (col. Museu da Cidade, Lisboa.)



      Aspecto de uma tourada no Terreiro do Paço por ocasião de uma comemoração em 1661 (col. priv.)



                                           Tourada no Terreiro do Paço em meados do séc. XVIII, por Guillaume Debrie (col. pess.)



                                                   Bilhete de tourada na Praça do Salitre em 1799 (col. priv.)



    Aspecto do exterior do Teatro Circo Price ou do Salitre onde funcionou a praça de touros (col. pess.)



    Interior do Teatro Circo Price ou do Salitre, onde funcionou também a arena do tauródromo (col. pess.)

                                         
  
 
                                           Bilhetes de touradas na Praça do Salitre em 1804 e 1805 (col. priv.)
                                            


                                                                 Planta topográfica do Campo de Santa Ana em 1812 (arq. priv.)



               

                  
                              Condução e espera de touros em meados do séc. XIX
                               na estrada do Lumiar e Campo Grande (col. priv.)



Touros na lezíria, Golegã 1890, foto de Margarida Relvas (arq. priv.)



                                 O fado nas esperas de touros no séc. XIX, aguarela de Alfredo Morais (col. pess.)


 
É José Maria Pimentel Bettencourt, a requerer em 1828, autorização para no mesmo local da antiga Praça de Touros do Salitre, mandar construir outra praça.
Diz o conde de Sabugosa, no seu livro "Embrechados", que a decisão de construir a praça partiu do próprio soberano e cita: "Um dia que o infante D. Miguel, então aclamado rei, determinou dar uma tourada em benefício duma obra de caridade, soube que o empresário da velha praça do Salitre, (José Serrate), levantava dificuldades e regateava pelo preço do aluguer". D. Miguel mandou então chamar o seu amigo Sedvem, famoso cavaleiro, encarregou-o de dirigir a obra de construção imediata de uma nova praça, sem olhar a despesas, e fez publicar um decreto que dava à Real Casa Pia de Lisboa o privilégio da receita daquela e de outras praças nalgumas léguas em redor. Ficou o D. José Serrate a chuchar no dedo e o público contente com o circo novo e com a pirraça feita ao onzeneiro director".
Apesar desta versão sobre a origem da velha praça, os factos parecem ter sido diferentes. Em primeiro lugar, o privilégio da Casa Pia de que fala o conde de Sabugosa, foi atribuído àquela instituição logo no ano de 1821, por decreto de D. João VI. O que D. Miguel fez, segundo a edição de 8 de setembro de 1830 da "Gazeta de Lisboa", foi confirmar este direito, a requerimento do administrador ( hoje chamar-se-ia provedor - da Casa Pia), António Joaquim dos Santos. Afirma D. Miguel que: "Hei por bem confirmar a mercê de que goza a mesma Casa Pia, e que lhe foi conferida por el-rei meu senhor e pai, que Santa Glória haja, de serem somente em seu benefício permitidas as corridas de touros na cidade de Lisboa." 
No mesmo decreto, e também a requerimento do provedor, diz o rei: "E hei outrossim por bem, deferindo ao que o dito administrador me suplicou, conceder licença para que no Campo de Santa Ana se possa construir para o dito fim, uma praça de touros na forma da planta que será com este; sendo a despesa da sua construção suprida pelo cofre da sobredita Real Casa Pia, com tal regularidade, e economia, que por este motivo não falte às outras despesas indispensáveis daquele tão subtil estabelecimento." 
O rei D. Miguel, licencia portanto a construção da praça, de acordo com planta anexa ao decreto, correndo os custos do empreendimento por conta da Real Casa Pia de Lisboa. Ainda por alguns anos se fizeram corridas na Praça do Salitre, embora poucas, isto até a construção e acabamentos da  de Sant'Ana ficarem completamente realizadas, o que levou algum tempo ainda. Dai a razão de se efectuarem, durante alguns anos espectáculos nas duas arenas.
A nova praça, localizar-se-ia onde actualmente se encontra a Faculdade de Medicina, no Campo de Santa Ana. A sua planta foi da autoria do arquitecto camarário Malaquias Ferreira Leal (1787/90-1859), que segundo os registos, era feita quase toda de madeira e tinha capacidade para seis mil espectadores. A Praça de Touros do Campo de Sant'Ana, como passa a ser designada, uma das de maior historial de Lisboa, foi inaugurada em 3 de julho de 1831 sucedendo à antiga Praça do Salitre. Já à noite, com motivo no acontecimento tauromáquico, houve "luminárias" e "fogo de vistas", segundo citações da época.
Foi inaugurada na presença do rei D. Miguel e da infanta D. Maria da Assunção (1805-1834), sua irmã, foram lidados naquele dia, nada menos que 16 touros, pertencentes à ganadaria real.
Pela Praça do Campo de Sant'Ana passaram afamados cavaleiros amadores, caso do conde de Vimioso e do marquês de Castelo Melhor, e também profissionais, como Francisco Carlos Batalha e Manuel Mourisca Júnior. Na chamada lide à espanhola, os espectadores aplaudiram os históricos matadores Cúchares, Frascuelo,Lagartijo, Mazzantini e Gordito. Este último, considerado no seu tempo um ás das bandarilhas, terá aprendido boa parte da técnica com os bandarilheiros portugueses que se exibiam na Praça do Campo de Santana. Entre eles, destacavam-se João Alberto Rebelo (João Barbeiro), Joaquim Russo, José de Sousa Cadete, António Roberto da Fonseca e seus filhos, Roberto e Vicente, João da Cruz Calabaça, José Joaquim Peixinho e Manuel Botas.


 

                                                             Rei D. Miguel 1802-1866 (col. pess.)



                                                         Cavaleiro José dos Santos Sedvem (col. priv.)


                                   Planta toponímica do Largo de Sant'Ana no séc. XIX  já com a praça de touros (arq. priv.)



                                                Vista geral da Praça de Touros do Campo de Sant'Ana em meados de 1880 (arq. priv.)




    Maquete da Praça de Touros do Campo de Sant'Ana, foto José Artur Leitão Bárcia anterior a 1915 (arq. priv.)

 

     Interior e arena da Praça de Touros do Campo de Sant'Anna meados de 1870/80 (arq. priv.)

                            

Folheto anunciando corrida de touros na Praça de Sant'Ana de 1838 (col. priv.)



                                                                                         Cartaz de corrida em 1860 (col. priv.) 



                                                                           Anúncio de uma corrida de touros em 1880 (col. priv.)



                                                                   Bilhete para tourada no Campo Sant'Ana em 1881 (col. priv.)



                                                               Alusão da revista O Occidente à tourada na Praça de Sant'Ana
                                                                     em homenagem aos reis de Espanha em 1882 (arq. priv.)



                                           Arena da Praça de Touros do Campo de Sant'Ana em finais da década de 1880 (arq. priv.)




A Praça de Touros de Sant’Ana manteve-se até 1888 e o encerramento e demolição ocorre em 1889, foi ditado pelas suas más condições de segurança, que faziam temer um desastre semelhante ao ocorrido no teatro Baquet, no Porto, que provocou mais de cem mortos. O desaparecimento da praça provocou as mágoas de muitos lisboetas. No seu livro "Embrechados", prossegue o conde de Sabugosa: "Na poeira que levantavam ao desmoronarem-se os muros pintados a vermelho, as tábuas azuis e brancas, as trincheiras e os palanques, iam os últimos ecos de muitas tardes alegres, do estalar festivo dos foguetes, dos trombones desafinados da fanfarra da Casa Pia, mugidos dos bois, pregões do homem dos pastelinhos e água fresca, assobios estrídulos da multidão, piadas do sol gritadas por vozes avinhadas e roucas troçando do lavrador, do inteligente, lançando trocadilhos petulantes, que faziam rir cinco mil bocas numa gargalhada."
Por iniciativa dos toureiros José Peixe, Rio Sancho, Calabaça e José Costa, pediram ao Dr. Oliva, na altura director da Real Casa Pia de Lisboa, uma intervenção urgente no Campo de Sant’Ana. Foi levado à presença do director, por intermédio do toureiro José Peixe, o arquitecto Dias da Silva (1848-1912), que já tinha um projecto para uma praça de touros a ser construída em Queluz (projecto que nunca foi executado), depois de apreciado o trabalho deste arquitecto, o director Oliva convidou-o a elaborar o projecto para a nova praça de touros da capital, sendo aceite a proposta de imediato e sem custos por parte do arquitecto. No mesmo ano de 1898, a Câmara Municipal de Lisboa aprovou um documento de doação de terrenos à Real Casa Pia de Lisboa, com seis mil metros quadrados de terreno, para a construção de uma nova praça de touros, visto esta instituição manter a exclusividade de organizar touradas em Lisboa. Mas a falta de verbas para a sua construção, fez a Real Casa Pia entregar o projecto a privados, sendo para isso criada a designada Empreza Tauromachica Lisbonense. Foi elaborado um contrato pelo período de 90 anos, no qual esta empresa teria direito à propriedade do terreno e a disponibilidade de organizar touradas, com a obrigação de entregar à Real Casa Pia de Lisboa a quantia de 3500 réis anuais. Foi então cedido o espaço da velha praça de touros em madeira no Campo Pequeno, espaço esse que até à época, segundo relatos, era um local sombrio e mal frequentado à noite. A construção desta nova praça moveu 161,200 réis, financiado por um grupo de accionistas com os nomes de Bettencourt Rodrigues e Pinto Bastos. Teve como arquitecto responsável Dias da Silva e o engenheiro da obra Ressano Garcia (1847-1911). O edifício circular, com 80 metros de diâmetro e 18 de altura, trazia comodidade aos espectadores, através de uma variedade de lugares sentados e camarotes, segurança para os artistas, assim como uma nova forma de construção para os touris. O estilo do edifício em arquitectura romântica, com apontamentos do neo-árabe, predominando o material de construção deste edifício nas fachadas, o tijolo vermelho, pouco frequente em Portugal excepto em construções industriais, as suas cúpulas metálicas em forma de bolbo, as entradas e janelas em arcos com forma de ferradura. Também estão presentes na sua arquitectura estruturas em ferro fundido com elaboradas na Fundição de Santo Amaro, Lisboa. Sendo constituída por quatro torreões dispostos nos pontos cardeais, sendo a entrada principal virada a Ocidente e a entrada dos cavaleiros a Oriente. A praça tinha uma área de 5840 metros quadrados, que mantém ainda hoje, um redondel com 80 metros diâmetro coberto de areia, recebia 8445 espectadores distribuídos por: 832 em camarotes (a tribuna real e camarotes para os ajudantes, 20 camarotes com 1,80 metros de frente e 46 de 1, 20 metros de frente), 381 em fateuils, 116 em cadeiras sobre o touril, 2171 em bancadas de sombra, 1058 em bancadas sombra-sol, 1874 em bancadas de sol e 2013 em galerias de sol.

 
 

Titulo de oito acções da Empreza Taruromachica Lisbonens de 1891
(col. priv.)
                           

António José Dias da Silva 1848-1912 (col. priv.)
                                                                              


                                                                                         Ressano Garcia 1847-1911 (col. priv.)



                                       Projecto da Praça de Touros do Campo Pequeno de 1892 (col. priv.)




                                                                          Placa do fabricante em coluna da estrutura metálica
                                                                                    da Praça de Touros do Campo Pequeno
                                                                                                      (fotos Mário Nogueira)
                                                                           
                                                         

    Gravura alusiva à inauguração da Praça de Touros do Campo Pequeno da revista O Occidente (col. priv.)

 
 
 
No dia 18 de agosto de 1892 foi inaugurada a grande Praça de Touros do Campo Pequeno. Na tourada inaugural que contou com 12 touros de Emílio Infante da Câmara e os cavaleiros Alfredo Tinoco e Fernando de Oliveira, os bandarilheiros José Joaquim Peixinho, João Calabaça, João Roberto, Rafael Peixinho, Roberto da Fonseca, Vicente Roberto e os espanhóis Filipe Aragon e Vicente Mendez. No ano da sua inauguração foram organizadas 16 touradas quase no final da época, sempre com os melhores e mais caros elementos portugueses e espanhóis. Sendo gerida por grupos privados, a organização no primeiro ano de espectáculo de touros foi da responsabilidade de Carlos Dias, auxiliado por Cipriano Batalha, Artur Teles e Joaquim Pedro Monteiro. No ano de 1893, é constituída a empresa Dias, Monteiro e Comp.ª, sempre com grande sucesso no que diz respeito a público. Nesses mesmo ano, no dia 20 de agosto, é inaugurada a iluminação eléctrica na Praça de Touros do Campo Pequeno, com um espectáculo gratuito para uma corrida de touros nocturna. Já nesta época a zona do Campo Pequeno estava servida por transportes públicos como o comboio, pela linha de cintura de Lisboa, os veículos que à época iam desde o centro da cidade como os carros char-a-bancs, o rippert e o carro americano, assim como mais tarde os carros eléctricos da Carris.




                                       Anúncio à inauguração da Praça de Touros do Campo Pequeno em 1892
                                                                                                              (col. priv.)



                                 Fachada da Praça de Touros do Campo Pequeno em 1892, foto Francesco Rocchini ( arq. AML)



Chegada de público à Praça do Campo Pequeno finais do séc. XX (arq. priv.)
                 


                                                                   Carro Americano da Carris em finais do séc. XIX no Rossio os
                                                                      mesmos que faziam ligação ao Campo Pequeno (arq. AML)
                                              



     Praça de Touros do Campo Pequeno e alguns transportes para aquela zona da cidade em 1895 (arq. priv.)


    

       Praça de Touros do Campo Pequeno. em finais do séc. XIX, foto Henrique Novais (arq. priv.)



Planta toponímica do Campo Pequeno, Maio de 1908 (arq. priv.)
                                    


                                                             Notícia de A Semana de Lisboa, suplemento do Jornal do Commercio
                                                                                            de 20 de agosto de 1893 (arq. priv.)



                                                                          Porta principal da Praça de Touros do Campo Pequeno
                                                                             no início do século XX já com luz eléctrica (arq. priv.)



Agência de bilhetes da Praça de Touros do Campo Pequeno
 na Baixa lisboeta no início do séc. XX (arq. priv.)



 Cartaz de corrida de touros extraordinária na Praça do Campo Pequeno
em homenagem ao rei Eduardo VII em 1903 (col. priv.)



                                         Tourada cavalo no Campo Pequeno, no início do séc. XX (arq. priv. )




                             Camarote real da Praça do Campo Pequeno na corrida a quando da visita do rei Afonso XIII
                                                                    de Espanha em 11 de dezembro de  1903 (arq. priv.)



                                Postal do início do século XX alusivo à Praça de Touros do Campo Pequeno (col. priv.)




 Cartaz e bilhete para a Corrida de Beneficencia de 1905
 com a presença da família real portuguesa (col. priv.)



                                                           Alusão de imprensa da época a tourada na Praça do Campo Pequeno
                                                                       com a família real assistindo no camarote real (col. pess.)



Página do suplemento do Annuario da Sociedade dos Architectos Portugueses 1907
 alusiva à Praça de Touros do Campo Pequeno (col. priv.)

   

     Público e família real assistindo a uma tourada na Praça do Campo Pequeno no início do séc. XX (arq. priv.)



                                                 Desfile inicial de corrida de touros à antiga portuguesa na Praça do Campo Pequeno
                                                                                            no início do séc. XX (arq. priv.)

    

Página da revista Illustração Portugueza de 1910 alusiva a tourada (col. priv.)



Cavaleiro tauromáquico na Praça de Touros do Campo Pequeno no início do séc. XX (arq. priv.)



                                           Cartaz de tourada nocturna na Praça do Campo Pequeno em 1913
                                                                                                           (col. priv.)



                                                            Extrato de página da Illustração Portugueza do início do séc. XX
                                                                   alusiva a tourada na Praça do  Campo Pequeno (col. priv.)

 

Mas a população de Lisboa com o sucesso que estava a ter com a nova e monumental Praça de Touros do Campo Pequeno, sentiu necessidade de um outro espaço semelhante na capital ou nos seus arredores. Assim no dia 5 de outubro de 1893, era noticiado na imprensa regional, a construção de uma praça de touros em Algés. A Gazeta de Oeiras nº 28 de 5 de novembro de 1893, citava: " Vae construir-se muito brevemente em Algés ao norte da estrada real uma nova praça de touros. Consta-nos que será um vasto e bom construído circo. O seu custo está orçado em cinquenta contos de réis. A praça fica n’un sitio magnifico de onde se disfructa um lindo panorama de terra e mar – muito accessivel e para onde há transportes fáceis, commodos e baratos. Por tudo isto será ella preferida à do Campo Pequeno para onde os transportes são difficeis e caros." Construída por um grupo de sócios do Real Clube Tauromáquico. Nas vésperas da sua inauguração, a Gazeta de Oeiras nº 107 de 12 de maio de 1895, citava: " Trabalha-se activamente nas obras d’esta praça afim de se poder dar a 1ª corrida no dia 23 d’este mez. O circo esta elegantíssimo. O seu risco é do sei distinto conductor o nosso ilustre amigo o sr. Alfredo Bettencourt de Mello. É feito de cantaria e ferro, tem 100 metros de raio e uma só ordem de camarotes. Circunda-o uma avenida de 20 metros de largura. Na sua construção foram introduzidos todos os modernos aperfeiçoamentos. O esplêndido local onde está edificado, a facilidade de communicações para lá e os atractivos do mar e da campina são de certo mais que muitos para a tornarem a primeira praça de touros do paiz."
A Praça de Touros de Algés é inaugurada a 23 de maio de 1895 ( 3 anos depois da do Campo Pequeno), com capacidade para 7500 espectadores, simples e confortável. Com o propósito de vir a ser um alternativa à praça principal de Lisboa, apesar dos transportes fáceis de aceder à época para aquele destino, como o comboio, com a linha de caminho de ferro de Cascais, já com todo o seu troço completo até ao Cais do Sodré (tema a desenvolver em próximo artigo), os carros "chora", char-a-bancs, o rippert e o carro americano, assim como mais tarde os carros eléctricos da Carris. Junto a esta praça instalou-se periodicamente uma animada feira popular, tendo ai havido também fados e guitarradas, surgido alguns casos de sucesso nessas lides, como o fadista Estevão Amarante entre outros. Mas com tudo isto o objectivo de destronar a Praça de Touros do Campo Pequeno nunca foi alcançado. No entanto nesta praça figuras importantes atuaram como Manuel Casimiro, o famoso matador espanhol do século XIX, Rafael Ortega "Guerrita" , assim como o inesquecível José Gomez Ortega "Joselito" ou "Gallito", entre muitos outras figuras do toureio a pé e a cavalo. Foi também na Praça de Touros de Algés, que uma figura cabo-verdiana mítica da história da capital se estreou, a famosa "Preta Fernanda", como era conhecida, de seu nome Andresa do Nascimento (1859-1930?). José Segurado era à época empresário desta praça e amigo íntimo de Fernanda. Esta por sua vez aficionada que era conseguiu convencê-lo a concordar com um espectáculo inédito, uma mulher a tourear a cavalo. Nesse domingo de tourada de 1912, não chegaram para tanto público os transportes para Algés. Fernanda não se saiu muito bem porque teve cólicas nervosas. Numa desesperada tentativa de cravar um ferro, o touro acabou por derrubar o cavalo e Fernanda caiu, acabou a corrida na enfermaria com algumas nódoas negras. Ainda consta que terá repetido a proeza em animações do mesmo tipo na Praça de Touros do Campo Pequeno mas sem sucesso.



                                               Alusão em caricatura à inauguração da Praça de Touros de Algés
                                                                   por Rafael Bordalo Pinheiro in António Maria, 1895 (col. priv.)



                                                            Fachada da Praça de Touros de Algés no início do séc. XX (arq. C.M.L.)


                                                                                Os transportes utilizados na cidade de Lisboa,
                                                                               o Ripper,  "chora" e o Char-à-bancs (arq. pess.)



                                      Estação do caminho de ferro de Algés no início do séc. XX (col. pess.)



                                                      A "Preta Fernanda" na Praça de Touros de Algés, aguarela de Aberto Souza
                                                                                               para a revista Alfacinhas (col. priv.)

     Vista aérea de Algés em meados do início do séc. XX vendo-se a praça de touros (arq. priv.)



       

                                            
                                                                      Páginas da Illustração Portugueza n.º 430 de 1914 (col. priv.)



                                                                       Cartaz de tourada na Praça de Touros de Algés em 1917
                                                                                                            (col. pess.)



Páginas da Illustração Portugueza n.º 868 de 1922 alusiva a tourada Algés (col. priv.)
   


                                  Assistência na corrida de touros em Algés, a favor do Fundo de Acção Social da
                                                    Brigada Automóvel da Legião Portuguesa em 1938 (arq. Gazeta de Miraflores)



    Aspecto da feira popular junto á Praça de Touros de Algés meados dos anos 30 (arq. Gazeta de Miraflores)



                                                                               Cartaz anunciando corrida de touros em Algés
                                                                                com fados em 1939 (arq. Gazeta de Miraflores)



    Praça de Touros de Algés e ribeira em 1939 (arq. AML)
                                           

                                                 Praça de Touros de Algés no início  dos anos 40 foto Eduardo Portugal (col. pess.)
   
                                                    Vista lateral da Praça de Touros de Algés em meado dos anos 40 (arq. C.M.L.)



                                                          Lide do toureiro Pepe Anastasio na Praça de Touros de Algés em 1949
                                                                                                               (col. priv.)

                                              Praça de Touros de Algés no final dos anos 40 foto António Passaporte (arq. priv.)

                          

Mas a Praça de Touros do Campo Pequeno continuava em grande e com grandes sucessos quer para o público quer para os artistas tauromáquicos que ai actuavam. Alguns acontecimentos sociais e políticos ligados à nossa história ai tiveram lugar, já no fim da monarquia em Portugal. A Praça de Touros do Campo Pequeno encheu para assistir ao primeiro espectáculo de boxe realizado em Portugal. Foi no dia 4 de julho de 1909, um combate entre os americanos Drumond e Sam Mac Veo, o vencedor. Mais tarde chegou a ser recinto para recrutamento militar para a Primeira Grande Guerra Mundial em que Portugal esteve presente. Mas sendo sempre o seu principal papel no espectáculo tauromáquico, e por isso mesmo também foi palco esta praça de touros, de triunfos, galas, sustos e algumas tragédias com cavaleiros tauromáquicos. Na temporada de 1917, quando passavam 25 anos de actividades da Praça de Touros do Campo Pequeno, terá tido como facto mais importante a apresentação dos dois maiores nomes de sempre do toureio a pé, os espanhóis José Gomez Ortega "Joselito", ou "Gallito" e Juan Belmonte. A Praça de Touros do Campo Pequeno também foi palco para eventos de boxe. Já a 20 de agosto de 1942, foram assinaladas as "Bodas de Ouro"desta praça um grande cartel de luxo com os cavaleiros João Branco Núncio e Alberto Luís Lopes. Os espadas Manuel Alvarez "El Adaluz", espanhol e Carlos Arruza, mexicano, os forcados moitenses comandados por João Soeiro. Os 75 anos comemorados em 18 de agosto de 1966, foram assinalados com uma corrida concurso de ganadarias com o cavaleiro José Mestre Baptista o rejoneador (matador de touros a cavalo)  espanhol Álvaro Domecq e os matadores de touros Armando Soares e Amadeu dos Anjos. Os forcados constituídos por Regentes Agrícolas da Escola de Évora, sob o comando de José Eduardo Baptista. Gerações de aficionados foram testemunhas nas bancadas da Praça de Touros do Campo Pequeno e mais tarde pela TV a partir de 1963, de uma parte importante da história do toureio em Portugal .




                              Postal ilustrado do início do séc. XX da Praça de Touros do Campo Pequeno (col. pess.)

                
        

Primeiro combate de box realizado em Portugal na Praça de Touros do Campo Pequeno em 1909,
fotos de Eduardo Novaes, in Illustração Portugueza de  12 -7-1909 (col. priv.)



                                                       Cartaz de tourada nocturna em 1915 (col. priv.)


                                                              Pagina da Illustração Portugueza n.º 745 de 1920 alusiva a touradas
                                                                                        no Campo Pequeno e Algés (col. priv.)



    Aspeto da fachada e movimento junto à Praça de Touros do Campo Pequeno em 1927 (arq. priv.)


                                                            Cartaz de corrida em 1927 (col. priv.)


                                                         Cartaz de corrida em 1931 (col. priv.)


                                              Torneio de boxe no Campo Pequeno em 1931 (arq. priv.)



    Entrada principal da Praça de Touros do Campo Pequeno, 1945, foto de Mário Novais (arq. priv.)



     Cartaz de corrida de touros da despedida Manuel dos Santos em 1953 no Campo Pequeno (col. priv.)



Praça de Touros do Campo Pequeno nos anos 60 (arq. priv.)

 

Nos anos 50 do século XX, existiam duas praças de touros em Lisboa, a do Campo Pequeno e a de Algés, e foi em Algés em 1953, que o toureiro Manuel dos Santos (1925-1973), após a sua primeira retirada, iniciou o seu período empresarial. Montou e exibiu magníficos carteis, mas os aficionados continuavam a preferir o Campo Pequeno e Manuel do Santos desistiu, até que em 1963 assumiu a gerência da sociedade Campo Pequeno, dando início a uma década fabulosa, considerados os melhores anos da Monumental de Lisboa. Entretanto a má gestão que se seguiu da Praça de Touros de Algés e da década seguinte foi ditando o seu progressivo declínio. Esta praça já tinha servido de cenário para as filmagens em 9 de novembro de 1930, do primeiro filme sonoro português "A Severa" de Leitão de Barros, recreando aquele espaço a antiga Praça de Touros do Campo de Sant'Ana, tendo para isso sido engalanada e cheia de figurantes para o efeito, e já no início dos anos 60 serve de cenário a um filme francês policial intitulado "Eddie em Lisboa". Entretanto Algés, assistiu à degradação completa da sua praça, praticamente inactiva desde 1960, embora ainda se tenham realizado alguns espectáculos sem continuidade e se tenha mantido a feira no espaço em redor assim como algum comércio. Na década de 70 depois de ocupada por gente sem abrigo e desalojados, durante algum tempo, sendo posteriormente demolida para aí se construírem diversos projectos que nunca venceram. Estando hoje o espaço convertido a um estacionamento privado em terra batida.

 
 

                                                    Praça de Touros de Algés em 1955, foto anónima (arq. AML)



                                                                                Anúncio do Diário Popular a corrida de touros
                                                                                     na Praça de Algés dos anos 50 (arq. priv.)



                                           Publicação da época alusiva aos bastidores do filme "A Severa" (col. pess.)



                                    Cena do filme "A Severa" de 1930 na Praça de Touros de Algés (arq. Gazeta de Miraflores)



                                                          Cartaz do primeiro filme sonoro português "A Severa" de 1930 (col. pess.)




  Notícia de corrida de touros na Praça de Algés no jornal Diário de Lisboa de 16.08.51 (arq. Gazeta de Miraflores)



 Aspecto da Praça de Touros de Algés nos anos 60 (arq. Gazeta de Miraflores)


                                                      Cheias em Algés junto à Praça de Touros em 1967 (arq. Gazeta de Miraflores)

                                        

                                              Circo montado junto à Praça de Touros de Algés na época natalícia,
                                                                            no início dos anos 70 (arq. Gazeta de Miraflores)



                   Aspecto da demolição da Praça de Touros de Algés em meados dos anos 70 (arq. Gazeta de Miraflores)



Vista aérea do local (círculo vermelho) onde existiu a Praça de touros de Algés (foto Google earth)
                              

 

Durante largos anos a Praça de Touros do Campo Pequeno foi-se degradando, até que na década de 90 do século XX, a Câmara Municipal de Lisboa e a Casa Pia, entidade proprietária da praça, desenvolvessem um projecto conjunto com vista à sua recuperação. Este projecto da autoria dos arquitectos Pedro Fidalgo, José Brusch, Filomena Vicente e Lourenço Vicente, respeitando a traça original do edifício, foi iniciado em 2000, contado com estudos do Laboratório de Engenharia Civil, do Instituto Superior Técnico e o Instituto de Soldadura e Qualidade para fazer os diagnósticos. Tendo este projetco valido ao arquitecto José Bruschy dois prémios: o Melhor Empreendimento do Ano pela Revista do Imobiliário e um Óscar  na categoria de Reabilitação. Com esta reconversão concluída em 2006, a Praça de Touros do Campo Pequeno transformou-se numa sala de espectáculos polivalente, onde tanto poderão ter lugar touradas como concertos, bailado, ópera ou teatro, no recinto, que foi coberto com um tetco amovível que protege actores e espectadores do frio, do vento e da chuva. Constituída por um círculo em gomos de vidro que abrem e fecham consoante as necessidades da praça, essa cobertura mede 32 metros de diâmetro, sendo o resto do tecto fixo e opaco. O seu primeiro anel alterado estruturalmente, passando a ser em betão armado, em função dos arcos de tijolo existentes de origem. O anel exterior manteve-se inalterado a nível estrutural, tendo sido apenas feitas pequenas obras de recuperação e reforço. No interior deste imóvel existem zonas diferenciadas, apresentado um vasto conjunto de salas, cada uma características específicas, quer para efeitos tauromáquicos, ou receber pessoas e eventos. Passando pela criação de camarins para toureiros e artistas que ai actuem, uma nova capela, enfermaria, espaços administrativos, cozinhas, camarote Presidencial e Salão Nobre assim como um novo gabinete privado para o Chefe de Estado. As actividades taurinas não constituirão, de forma nenhuma, a principal actividade da renovada praça de touros: para as temporadas não estão previstas mais de 15 corridas, cerca de 12 por época. A lotação da sala, em contexto de tourada, foi reduzida para 6448 lugares de forma a facilitar o auxílio em caso de emergência e existem cadeiras em todas as bancadas. A sua lotação actualmente varia até aos 9000 espectadores. A sua arena serve de palco aos vários tipos de eventos, como feiras, concertos, circo, programas de TV, desportos, etc. O Campo Pequeno é gerido actualmente pela Sociedade de Renovação Urbana do Campo Pequeno (SRUCP), empresa que gere não só a arena mas tudo o que a ela está inerente, assim como o espaço comercial. Debaixo do redondel e no subsolo contíguo fica o espaço comercial com 60 lojas, oito cinemas, 20 restaurantes e cinco bares, o Centro Comercial Campo Pequeno, inaugurado em 2004. O horário de funcionamento das lojas é das 10h 00 às 23h 00, prolongando-se até às 2h 00 para os estabelecimentos de restauração. Parte destes restaurantes e bares não são enterrados, localizam-se nas galerias da praça de touros e nas esplanadas em seu redor. As esplanadas estão protegidas do trânsito pelo jardim que rodeia o Campo Pequeno. É também no subsolo que se situa um grande parque de estacionamento, com 1250 lugares abertos ao público e ligação directa à estação de Metro do Campo Pequeno.
Grandes nomes internacionais e nacionais do espectáculo já passaram por esta praça nos últimos anos desde o espectáculo inaugural a 16 de maio de 2006 da autoria de Filipe La Feria, que de uma forma artística tentou mostrar todas as novas funcionalidades e possibilidades deste espaço multicultural. Foi também criado recentemente no Campo Pequeno, um projecto de museu tauromáquico, no torreão principal, que por enquanto não passa de uma breve exposição sobre o tema, com pequenas peças relacionadas com a tauromaquia, fotos, cartazes e pouco mais que ao longo do tempo tem sido doado; contando ainda com visitas guiadas ao recinto da praça. Museu este que conta com a presença de um valioso contributo dado por Joana Vasconcelos de Pina, única pessoa naquele espaço com formação superior na área e em história, assim como na organização, sendo responsável do mesmo. 



                                       Praça de Touros do Campo Pequeno em meado dos anos 70 (col. pess.)



       Desdobrável de corrida de touros nos anos 70 com o toureiro Chibanga no Campo Pequeno (col. priv.)



                                             Vista aérea da Praça de Touros do Campo Pequeno em meados dos anos 90 (arq. priv.)



Obras de remodelação da Praça de Touros do Campo Pequeno (foto agência LUSA) 



   
   Aspeto lateral e da cobertura da renovada Praça de Touros do Campo Pequeno na actualidade (arq. priv.)



Lateral do Campo Pequeno e esplanadas na actualidade (foto Paulo Nogueira)



                                            Aspeto do interior do Campo Pequeno na actualidade (arq. priv.)



                                   Aspecto dos camarotes renovados na Praça de Touros do Campo Pequeno (foto João Carvalho)








Diversas disposições da arena do Campo Pequeno para concertos, eventos e touradas (arq. Ticketline)

 
 


    
                                                                     Desdobráveis de diversas corridas de touros da época de 2010
                                                                                     na Praça do Campo Pequeno (col. pess.)




    Desfile inicial de corrida de touros à antiga portuguesa na Praça do Campo Pequeno na actualidade (arq. priv.)



     Final do programa da RTP "Dança Comigo" na década de 2010 no Campo Pequeno (foto de Paulo Ribeiro)



                                       Entrada do Centro Comercial do Campo Pequeno (foto Paulo Nogueira)



                                                                 


      
                                                         
     
                                                                                 Cartazes de eventos periódicos no Campo Pequeno




                                                      Evento na arena da Praça do Campo Pequeno na actualidade (arq. priv.)



                                               Arena da Praça do Campo Pequeno em dia de tourada na actualidade (arq. priv.)



 
A centralidade deste espaço da Praça do Campo Pequeno na cidade de Lisboa, faz com que uma qualquer missão de cultura se torne duplamente imponente. O espaço é privilegiado, com excelentes acessos, e desde 2006 passou a ser um local de passagem diário devido à zona comercial, sendo portanto urgente que se tente controlar a negativa imagem da vertente tauromáquica desta praça, não pensando em contrariar as opiniões, mas sim mostrando a sua história e memórias. No entanto, para que a sua história e memórias perdurem e não se percam, é necessário um museu adequado e devidamente apetrechado para assim se tornar ao mesmo tempo um espaço didático.


  Vista geral com a fachada da Praça de Touros do Campo Pequeno na actualidade (foto Paulo Nogueira)







Texto:
Paulo Nogueira


Fontes e bibliografia:
Gazeta de Lisboa, edição de 8 de Setembro de 1830
Gazeta de Oeiras nº 28 de 5 de Novembro de 1893
Gazeta de Oeiras nº 107 de 12 de Maio de 1895
NORONHA, Eduardo de. "História das Toiradas". Lisboa, Comp. Nac. Edições, 1900
SABUGOSA (conde de) - Embrechados,1ª edição, Livraria Ferreira Editora. Lisboa, 1908
ABREU, Carlos, Feira da Ladra, Revista mensal ilustrada, Lisboa, 1930
Revista Panorama, números 25 e 26, Edição do Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo, vo1. 5º, 1945
Projecto de Mestrado de Joana Vasconcelos de Pina,  Espaço Cultural no Campo Pequeno, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Publicação online Restos de Colecção
Especial agradecimento à publicação online Gazeta de Miraflores por algum material histórico e fotográfico aqui utilizado.