sexta-feira, 17 de julho de 2015

A TORRE DOS CLÉRIGOS







Considerada por muitos como o ex-libris da cidade do Porto, a Torre dos Clérigos é uma torre sineira que faz parte da igreja da Irmandade de São Pedro dos Clérigos, no alto da calçada da Natividade (atual rua dos Clérigos), situada no coração da Baixa do Porto. A igreja começou a ser construída em 1732, por iniciativa da Irmandade dos Clérigos, ficando concluída em 1749 e a torre em 1763. O projeto da Torre dos Clérigos foi aprovado em 1731 e, no ano seguinte, teve lugar a cerimónia de colocação da primeira pedra, isto depois de diversas diligências acabam por conseguir que lhe fosse dado um terreno no local,  junto do cemitério onde eram enterrados os enforcados e que ficava já fora de portas. Esta torre foi a última construção do conjunto dos Clérigos, dos quais fazem parte a igreja e uma enfermaria. Foi iniciada a sua construção entre 1754 e 1763, tendo em conta o aproveitamento do terreno que sobrara para a instalação da designada enfermaria dos Clérigos.  As obras arrastaram-se por vários anos, durante os quais o projeto inicial foi sendo alterado e adaptado. A Torre dos Clérigos, foi projetada e desenhada pelo italiano Nicolau Nasoni (1691-1773), que trabalhou em Siena, onde terá adquirido a sua formação de base. À passagem por Roma, seguiu-se uma estadia na ilha de Malta, onde trabalhou para o grão-mestre D. António Manuel de Vilhena, vindo a conhecer ai também, Roque Távora e Noronha, irmão do Deão (líder do chefe do Colégio de Cardeais) da Sé do Porto, D. Jerónimo. Foi assim, com certeza, que Nasoni acabou por ser convidado para se mudar para o Porto, onde já estava em 1725, a trabalhar na Sé, edifício onde deixou a sua marca. O projeto inicial da Igreja e Torre dos Clérigos, sob encomenda de Dom Jerónimo de Távora Noronha Leme e Cernache a pedido da Irmandade dos Clérigos Pobres, previa a construção de duas torres e não de uma apenas, isto porque segundo alguns registos da época, começou a faltar verba e ainda a obra ia a meio. O seu arquiteto, Nicolau Nasoni, contribuiu durante muitos anos para a construção da grande Torre dos Clérigos sem receber nada em troca, o que só viria a acontecer alguns anos mais tarde, quando Nasoni foi admitido como irmão, vindo a fazer assim parte desta Irmandade em reconhecimento  do trabalho prestado. De salientar que Nicolau Nasoni após a sua morte em 1773, aos 82 anos, viria a ser sepultado na cripta da Igreja dos Clérigos, pela Irmadade que anos antes o tinha admitido como membro. A construção da igreja colocava alguns problemas interessantes, a que Nasoni soube responder com soluções criativas e inegavelmente eficazes. Uma das  dificuldades maiores prendia-se com o formato do lote do terreno, longo mas estreito. Para tirar pleno partido desta situação, Nasoni rejeitou a fórmula tradicionalmente usada em Portugal de colocar as torres na fachada e remeteu-a antes para as traseiras, libertando assim espaço na frente da igreja. De recordar que o projecto original incluía duas torres, solução depois substituída por uma só torre. Ao mesmo tempo, a inclinação da rua (hoje) dos Clérigos, confere uma grande verticalidade à fachada, efeito sublinhado pela rotação do seu eixo em relação à rua. Por fim, Nasoni conferiu à torre enorme altura, 76 metros, e decorou-a com grande variedade de formas, atribuindo-lhe o protagonismo do conjunto. A conjugação de todos estes factores dá lugar a um incontornável efeito de monumentalidade.





                                                       Desenho da Igreja e Torre dos Clérigos por Gerard Michel 2012 (arq. priv.)


                                       

Planta da Igreja, enfermaria e Torre dos Clérigos por Gerard Michel (arq. priv.)
                               



                                                            Nicolau Nasoni 1691-1773 (col. priv.)





                                       Desenho e planta da Torre dos Clérigos e do seu campanário (arq. priv.)



  Gravura de Teodoro de Sousa Maldonado in Descripção Topographica e Historica da Cidade do Porto de 1789 (col. priv.)




Detalhe da gravura de Teodoro de Sousa Maldonado da Torre dos Clérigos
e cidade do Porto em finais dos séc. XVIII (arq. priv.)




                               Gravura e legenda com vista geral da cidade do Porto de finais do séc. XVIII (col. priv.)




A originalidade do projeto mantém-se no interior da igreja. Aqui, ao corpo retangular da fachada segue-se a nave única de planta oval, solução rara no contexto da arquitetura portuguesa na época. Na verdade, a nave é composta por duas paredes separadas por um corredor. A parede exterior faz com que, quando vista de fora, a nave pareça um polígono alongado de lados menores arredondados. Pelo contrário, a parede interior corresponde a uma verdadeira elipse, verticalmente ritmada pela utilização de grandes pilastras de ordem compósita, entre as quais se abrem portas, janelas e altares. A capela-mor é retangular e liga o corpo da igreja à casa dos clérigos, por sua vez ligada à torre, último elemento desta progressão de volumes cada vez mais estreitos, acompanhando a definição do terreno. O granito profusamente decorado cobre a fachada principal e a torre, enquanto nas fachadas laterais é apenas usado para elementos estruturais (pilastras e entablamento), portas e janelas. Assim se estabelece uma hierarquia visual de volumes. No interior da igreja, a decoração é rica e abundante em efeitos policromos, conjugando-se a pedra com a talha dourada e a pintura. A torre toda ela construída em granito e mármore, com multiplicados campanários com doze sinos, alguns dos quais segundo fontes da época, pesando de "cem até duzentas arrobas". Estes primeiros sinos foram encomendados em Hamburgo e Braga, tendo sido o seu custo, com transporte, segundo registos da época de 790.477 reis. A Torre dos Clérigos em estilo vincadamente barroco, é  decorada com esculturas de santos, fogaréus, cornijas bem acentuadas e balaustradas. Constituída  por seis andares e 76 metros de altura, a que se tem acesso por uma escada em espiral com 240 degraus. Foi considerada à época da sua construção, o edifício mais alto de Portugal e até da Europa, excedendo as de Bristol, Utreque, Amburgo, Riga e Bolonha. A espessura das paredes do primeiro andar, em granito, chega a atingir os dois metros. Destacam-se as janelas abalaustradas  do último andar, este mais comprimido e decorado, e os quatro mostradores do relógio um em cada face. O primeiro andar apresenta uma porta encimada pela imagem de São Paulo, tendo por baixo, gravado num medalhão, um texto de São Paulo, na Carta aos Romanos que diz: "SALUTEM MARIAM QUAE MULTUM LABORAVIT IN NOBIS".




Torre dos Clérigos e mercado do Anjo em representação
do inicio do séc. XIX (col. priv.)




Vista aérea da Torre e Igreja dos Clérigos (arq. priv.)
 
 

 Capela de Nossa Sra da Lapa na Igreja dos Clérigos (arq. priv.)



Interior e abóboda da Igreja dos Clérigos (arq. priv.)
   
 
 
 Altar da Igreja dos Clérigos (arq. priv.)
 
 
 

                                          Entrada para a escadaria de acesso à Torre dos Clérigos (arq. priv.)



Sino primitivo da Torre dos Clérigos (arq. priv.)




 

       
 
    
 
 
 
 
Pormenores da decoração da Torre dos Clérigos (fotos Belmiro Monteiro)

                                         



                                   Aspeto da Torre dos Clérigos no seu todo num plano contrapicado (arq. priv.)




                                                                   Margens do Douro no Porto em 1848 de C. A. Pinto (arq. priv.)



A Torre dos Clérigos mudou para sempre o horizonte da cidade do Porto, foi também ela palco de inúmeras histórias relacionadas com esta cidade e o quotidiano dos seus habitantes… Aliás, o autor deste projeto deixou marca inegável não só neste monumento como em toda a cidade, onde desenvolveu grande parte da sua obra. Devido a sua altura e por ser avista a cerca de dez léguas (50 Km) do mar, esta construção serviu igualmente de baliza ou marca para se dirigirem por ela todas as embarcações que entravam na barra do rio Douro, devido a velha Torre da Marca, expressamente destinada a esse fim, ter sido destruída em 1832 pela artilharia miguelista situada em Gaia, durante o Cerco do Porto. Terá contribuído também a Torre dos Clérigos, para ajudar os comerciantes a saber quando chegava ao Douro o “vapor da mala real”, uma embarcação da companhia inglesa  P. & O. (Peninsula e Oriente), que trazia de Londres dinheiro e letras de câmbio para pagar produtos que tinham sido exportados para Inglaterra. O sistema funcionava da seguinte forma; a Associação Comercial era avisada por telégrafo do dia previsto para a entrada na barra das embarcações, por sua vez fazia chegar a mensagem à Irmandade dos Clérigo, e com o consentimento da mesma,  mandava içar uma vara com duas bandeiras laterais com as cores da companhia maritima inglesa no alto da Torre, isto no tempo enxuto, porque em tempo de chuva as bandeiras eram substituídas por dois balões de folha de Flandres, pintados com as mesmas cores das bandeiras. Era o sinal da aproximação do barco, e assim os comerciantes sabiam  que podiam mandar os empregados para junto dos correios, a fim de receberem o mais depressa possível o dinheiro que vinha de Londres. Há registos de que no ano de  1862 numa noite de forte temporal, uma faísca derrubou a esfera e a cruz que encimam a Torre, tendo sido reparada pouco depois. A Torre dos Clérigos ficou também conhecida pela sua meridiana, um engenho dotada com um sistema de pistola, cujo gatilho disparava sempre ao meio-dia, com uma pontualidade superior à dos poucos relógios da época. Ao meio-dia, o sol dava na lente, queimava o fio, disparava o gatilho e dava um tiro. O comércio sabia que era o sinal do meio-dia e fechava. Em 1917, serviu, como palco para uma das mais bem-sucedidas operações publicitárias da época, da autoria do publicitário Raúl de Caldevilla. Dois saltimbancos galegos aceitaram o desafio para escalarem a Torre, pelo exterior, e terminarem a aventura tomando um chá acompanhando com umas bolachas tipo francês que estavam a ter dificuldades em entrar no mercado português. A partir daí o produto tornou-se num sucesso de vendas. De referir que esta foi uma das escaladas à Torre dos Clérigos entre muitas ocorridas antes e até aos dias de hoje neste monumento da cidade Invicta. Em 1918 foi enviado à Mesa da Irmandade dos Clérigos o ofício de 16/10 do Administrador do Bairro, devido ao clima vivido pelas consequências da Primeira Grande Guerra Mundial que só terminaria a 11 do mês seguinte, com as suas implicações em perdas humanas que abalaram muitas famílias da cidade. Dizia o documento: ”sendo prejudicial para a saúde pública que nas actuais circunstâncias haja motivo para deprimir o moral das Populações, manda sua Exª. o Sr. Governador Civil… que até segunda ordem, fiquem proibidos os toques dos sinos em cerimónias fúnebres…”



 
Mapa da cidade do Porto em 1813 por George Balck
(arq. priv.)
 



     Porto no inicio do séc. XIX e Torre dos Clérigos vendo-se as famosas bandeiras de sinalização (col. priv.)



                                                 Aspeto da Torre dos Clérigos em 1833 por Joaquim Villanova
                                                                                                                   (col. priv.)



                                      
                                               Dispositivo de sinal de meio-dia idêntico ao que existiu na Torre dos Clérigos 
                                                         e seu principio de funcionamento (foto Charles Milller Ltd, arq. priv.)

                                   



     Litografia com aspeto da cidade do Porto e a Torre dos Clérigos em 1839 de George Vivian (col. priv.)




Vista do Porto ribeirinho e a Torre dos Clérigos em meados do séc. XIX (arq. priv.)



                                                     Vista da cidade do Porto da Torre dos Clérigos por volta de 1858 a 1865 (arq. priv.)



      Praça da Liberdade com carros americanos em meados de 1880 vendo-se a Torre dos Clérigos (arq. priv.)



                                                                       Igreja e Torre dos Clérigos em meados de 1880 (col. priv.)
          


                                              Torre dos Clérigos e o mercado do Anjo em 1900 (arq. priv.)
 
 
 
 Comentário de um leitor da revista O Tripeiro, Volume I  de 1908, 
alusivo à técnica de sinais na Torre dos Clérigos (col. priv.)
 
 
 
 
                                                           Postal ilustrado de 1906 da rua dos Clérigos com carro elétrico
                                                                                          subindo pela esquerda (col. pess.)



      Postal ilustrado do inicio do séc. XX com a Torre dos Clérigos e a entrada do mercado do Anjo (col. pess.)
    


                                                            Postal ilustrado da Torre dos Clérigos no inicio do séc. XX (col. pess.)



 Postal ilustrado com vista da Torre dos Clérigos do Campo Mártires da Pátria de finais do séc. XIX (col. priv.)
 
 
 
Vendedeiras de castanhas em frente da Torre dos Clérigos em 1912 (arq. AMP)
 
 
 

 
     Convite em forma de bolacha para o evento publicitário de Puertollanos às Bolachas Invicta em 1917 (col. priv.)
 
  

                                                                    Escalada à Torre dos Clérigos durante o evento publicitário
                                                                                      às Bolachas Invicta em 1917 (arq. priv.)



Página da Ilustração Portugueza alusiva à escalada da Torre dos Clérigos
                                                                             com Puertollanos na cruz em 26-11-1917 (col. priv.)
                                   

 
 
Subida à Torre dos Clérigos em 2-6-1979 por Perez de Tudela (arq. priv.)
 
 



                                   Postal ilustrado com o mercado do Anjo junto à Torre dos Clérigos (arq. priv.)



Vista aérea da Torre dos Clérigos em meados dos anos 20 (arq. priv.)
                                        


                                   Torre dos Clérigos e espaço envolvente em meados dos anos 40 (arq. priv.)




A Torre dos Clérigos está classificada pelo IPPAR  como Monumento Nacional desde 1910. Em 1995 foi inaugurado o atual carrilhão da Torre dos Clérigos e é o mais moderno de Portugal. Tem 49 sinos que foram fundido na Holanda e  pesam cerca de dez toneladas. Para accionar o mecanismo dos sinos atravez de um teclado que, para ser tocado, exige uma técnica que pode ser fisicamente esgotante. Este carrilhão é controlado por um computador, marcando as horas e debitando a música através de quatro processos. Está programado para tocar ao meio-dia e às 18h, estando ligado a um relógio atómico, na Inglaterra ou na Alemanha e atravez do computador capta as ondas emitidas e organiza as horas a partir desses relógios. No ano de 2012, os mostradores do relógio da Torre dos Clérigos estão, finalmente, a marcar a hora certa. A anomalia no relógio tinha sido detetada com a mudança de hora de 2011 e desde então que se aguardava pelo arranjo do mítico relógio portuense. O problema foi resolvido com a substituição do ponteiro da face nascente, ponteiro este aparentemente deslocado por uma gaivota. Para além de marcar mal as horas, o relógio também ele ex-líbris da cidade do Porto, representava ainda um elevado risco para os transeuntes da zona, podendo a qualquer momento, com o vento, deixar cair o ponteiro. Esta reparação foi terminada em janeiro de 2012, numa última intervenção que permitiu ligar os mostradores ao mecanismo do relógio. Das empresas que contribuiram para o concerto foram a Unicer e a CIN, oferecendo tintas e ainda mil euros cada uma. O orçamento inicial para esta reparação era de 400 euros, mas constatou-se que a avaria não incidia apenas no ponteiro mas no próprio mecanismo do relógio. Este conserto implicou quatro visitas de alpinistas à Torre, suspensos por cordas e cabos para a retirada e colocação do ponteiro danificado, o que fez aumentar o montante, acabando por ser quase vinte vezes superior ao esperado. Entretanto entre outras iniciativas com vista a angariar fundos, também, a editora Calendário das Letras, promoveu a venda de um conjunto de livros raros do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, durante a XVII Festa do Livro da Fundação Cupertino de Miranda, angariando verbas para esta obra. Em 2013, ano que assinalou os 250 anos de existência da Torre dos Clérigos, esta recebeu cerca de 430 mil visitantes, sendo o custo de entrada de 2 euros. A Irmandade dos Clérigos aproveitou o simbolismo da data para lançar um programa de comemorações de forma a valorizar e potenciar o monumento que é considerado por muitos, como o ex-líbris da cidade do Porto. No âmbito das comemorações a Irmandade assinou um protocolo com a autarquia do Porto, com vista a implementar um programa de ação para a recuperação, requalificação, valorização e divulgação daquele espaço religioso, desenvolvendo uma série de atividades em parceria.  As obras nos Clérigos  num investimento total de 2,6 milhões de euros, tendo sido comparticipados em 1,7 milhões pelo QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional) , cabendo os restantes 800 mil à Irmandade dos Clérigos, com recurso a financiamento do programa Jéssica. O anúncio da comparticipação financeira, por parte da CCDR-N (Comissão de Coordenação da Região Norte), foi feito durante a cerimónia de apresentação pública da moeda de 2 euros comemorativa da efeméride, emitida pela Imprensa Nacional, Casa da Moeda, que decorreu junto à Torre.
 


                           Torre dos Clérigos vista da galilé da Sé do Porto em 1950, foto Teófilo Rego (arq. AHMP)



                                                                  Movimento na rua dos Clérigos em finais dos anos 50 (arq. priv.)



                                     Carro elétrico da linha 7 subindo a rua dos Clérigos, em 1972 (arq. priv.)



                                                              Torre dos Clérigos e carro elétrico no inicio dos anos 90 (arq. priv.)

  

                                            Carrilhão da Torre dos Clérigos inaugurado em 1995 (arq. priv.)



                               Vista geral da Torre dos Clérigos durante as obras de restauro do relógio (arq. priv.)
 
 


                          Alpinistas durante as obras de recuperação e restauro da Torre dos Clérigos em 2011 (arq. JN)

 
 
Largo frente à Torre dos Clérigos (foto António Amen)
                                             


Moeda de 2,00 €, comemorativa do 250º Aniversário da Torre dos Clérigos (imag. BNC)
 
 
 
 
O presidente da Irmandade dos Clérigos, Américo Aguiar, mandou encerrar a Torre durante 12 dias por razões de segurança em novembro de 2014, para a realização das obras de recuperação e renovação. Estas obras na Torre dos Clérigos, que tiveram como objetivo principal dar mais segurança a quem a visita, permitiram aos turistas ter uma melhor visibilidade sobre a cidade do Porto e perceberem, através de leitores de passagem, que edifícios conseguem dali visualizar.  A reabertura da renovada Igreja dos Clérigos aconteceu no dia 12 de dezembro de 2014, pelas 12h. A Torre dos Clérigos foi distinguida com o certificado de excelência 2014 do ‘site´ internacional de turismo e viagens TripAdvisor, depois das avaliações positivas dos visitantes referentes ao ano de 2013. A título de  curiosidade, ainda em 2014, durante as obras que decorreram na Igreja dos Clérigos, foram postas a descoberto numa cripta descoberta do século XVIII, mais de 20 sepulturas, das 15 sepulturas vistas, algumas pertencem ao clero, designadamente a bispos, devido à roupa, contudo, na cripta estão ainda mais sete ou oito sepulturas para retirar, as ossadas encontradas que incluiam; homens novos, mulheres, adolescentes e crianças, inclusive uma com 28 semanas de gestação, ficaram obviamente excluídas as hipóteses de serem do arquiteto italiano Nicolau Nasoni ali sepultado. O trabalho de antropologia forense para tentar encontrar naquelas sepulturas Nicolau Nasoni será feito por exclusão de partes, ou seja, perante todos os corpos ali depositados serão excluídos os do sexo feminino, bem como o dos homens mais novos, o trabalho é complexo, será feito em duas fases diferentes (reconstrutiva e comparativa) e deverá durar cerca de um ano. Estes trabalhos estão ser dirigidos pelo Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra. O presidente da Irmandade dos Clérigos, padre Américo Aguiar, acredita que uma delas seja a do arquiteto Nicolau Nasoni que, há mais de 200 anos, projetou a Igreja e a Torre anexa. Visto que, no livro de óbitos da Irmandade se pode ler: "Nicolau Nasoni foi sepultado nesta igreja (dos Clérigos) sendo asestido (assistido) pela Irmandade como pobre e se lhe fizerão (fizeram) os três oficios (ofícios) como também o da sepultura".
A 11 de junho de 2015, a Irmandade da Torre dos Clérigos anunciou, ao fim de 252 anos, a abertura da Torre e Igreja dos Clérigos  em horário noturno, respondendo a uma vontade manifestada pelos turistas. A ideia é permitir que grupos de pessoas (mínimo de 25) possam desfrutar da vista da Torre dos Clérigos a partir das 19h e até às 23h30, mediante uma marcação prévia, isto porque o Porto tem poucos locais culturais disponíveis a partir das 18h, dando assim o seu contributo à cidade, continuando a inovar na programação mas também rompendo com os tradicionais horários. Para breve está também a abertura do novo espaço de exposições dos Clérigos, com a "Colecção dos Cristos". Este espaço foi criado no âmbito das obras de renovação que foram realizadas em 2014, durante as quais foi descoberta a cripta na Igreja com mais 20 sepulturas. Vale a pena por tudo isto, uma visita atenta a este monumento nacional ex-libris da cidade do Porto.



                                       Torre dos Clérigos e Faculdade do Porto na atualidade (foto António Amorim)



                                       Vista geral lateral da Torre e Igreja dos Clérigos na atualidade (arq. priv.)





     Aspetos da Torre dos Clérigos e Igreja vista da rua dos Clérigos na atualidade (fotos Belmiro Monteiro)





                                    Obras de restauro na Igreja dos Clérigos em 2014 (fotos Nelson Garrido)




    Técnico forense no interior da cripta do séc. XVIII da Igreja dos Clérigos (Agência LUSA)



Aspeto geral do interior da Igreja dos Clérigos renovada na atualidade (arq. priv.)
                              


                                                                 Iluminação natalícia na Torre e rua dos Clérigos na atualidade
                                                                                                      (foto Josep Renalias)





                                Aspetos noturnos da Torre dos Clérigos visto da Praça Lisboa na atualidade (arq. priv.)







     Igreja e Torre dos Clérigos e ambiente circundante na atualidade (fotos Belmiro Monteiro)








Texto:
Paulo Nogueira



Fontes e bibliografia:

BASTO, A. de Magalhães: Nasoni e a Igreja dos Clérigos. Biblioteca do Porto. 1950
Site BOAS NOTICIAS, artigo de Janeiro de 2012
Revista O Tripeiro, Volume I  do dia 10-10-1908
PACHECO, Helder, PORTO A TORRE DA CIDADE nos 250 anos da Torre dos Clérigos, Edições Afrontamento, Porto, 2013
Agência Lusa Norte de 13-11-2014
Portal online do Noticias do Porto de 12-12-2014