quinta-feira, 26 de novembro de 2015

SEMANA MUSICAL DE MAFRA




 
 
A Câmara Municipal de Mafra e a cultur’canto associação cultural, co-organizam a primeira edição do in’Musica-Semana Musical de Mafra, no âmbito do programa incant’arte 2015. Um evento que conta com o apoio do Palácio Nacional de Mafra e da Escola das Armas. Este evento vai realizar-se no majestoso Palácio e Convento Nacional de Mafra, que se situa a cerca de 25 quilómetros de Lisboa. Monumento este, cujas obras da sua construção se iniciaram em 1717 por iniciativa do rei D. João V de Portugal (1689 - 1750), em virtude de uma promessa que fizera no caso da sua esposa, a rainha D. Maria Ana de Áustria (1683 - 1754), lhe dar descendência. Concebido inicialmente como um pequeno convento para 13 frades, o projeto para o Real Convento de Mafra foi sofrendo sucessivos alargamentos, acabando num imenso edifício de cerca de 40.000 metros quadrados, com todas as dependências e pertences necessários à vida quotidiana de 300 frades da Ordem de S. Francisco. Foi preocupação de D. João V garantir o sustento do convento, pagando as despesas do seu bolso. Assim, eram dadas propinas a cada frade duas vezes por ano, no Natal e no São João. Ocupado pelas tropas francesas e depois inglesas na época das Guerras Peninsulares, o Convento foi incorporado na Fazenda Nacional quando da extinção das ordens religiosas em Portugal, a 30 de Maio de 1834, desde 1841 até aos nossos dias, foi sucessivamente habitado por diversos regimentos militares, sendo desde 1890 sede da Escola Prática de Infantaria. De destacar como espaços conventuais mais significativos o Campo Santo e a Enfermaria para além da Sala Elíptica ou do Capítulo, a Sala dos Actos Literários (Exames), a Escadaria e o Refeitório, estes últimos hoje pertencentes à Escola das Armas e visitáveis sob marcação.

 
 
                                                                Rei D. João V 1689 - 1750 (col. priv.)


                             Obras de construção do palácio e convento de Mafra em meados do séc. XVIII (col. pess.)


                                          Enfermaria do hospital dos monges do convento de Mafra (arq. priv.)


                                                    Sala dos Actos do convento de Mafra (arq. priv.)


Sala eliptica do convento de Mafra (foto Alvaro Campeão)
 

                                                Refeitório dos frades do convento de Mafra (arq. priv.)


Edifício da Escola das Armas em Mafra (arq. priv.)


                                                            Atividade da Escola das Armas em Mafra (arq. priv.)


 
Deste monumento faz pare a Basílica, que ocupa a parte central do edifício, ladeada pelas torres sineiras. Foi feita segundo o desenho de João Frederico Ludovice (1673 - 1752), ourives de origem alemã que, após a sua longa permanência em Itália, a concebeu ao estilo barroco italiano. Tem a forma de cruz latina com o comprimento total 58,5 m e 43 m de largura máxima no cruzeiro, sendo toda em pedra da região de Sintra, Pêro Pinheiro e Mafra, e madeiras vindas do Brasil. O zimbório, com 65 m de altura e 13 m de diâmetro, foi a primeira cúpula construída em Portugal. De destacar ainda a escultura italiana de encomenda real, a mais significativa coleção de escultura barroca existente fora de Itália e o conjunto único de seis órgãos históricos encomendados pelo rei  D. João VI (1767 - 1826), aos organeiros Machado Cerveira e Peres Fontanes, em substituição dos primitivos que estavam degradados. Conta ainda esta Basílica com diversas obras de arte religiosa de grandes mestres pintores e escultores italianos da época barroca. A Basílica de Mafra foi consagrada a 22 de outubro de 1730.
O Paço Real ocupa todo o andar nobre do edifício de Mafra e os dois torreões, sendo o do Norte destinado a Palácio do Rei e o do Sul à Rainha, ligados por uma longa galeria de 232 m – o maior corredor palaciano na Europa – usada para o "passeio" da corte, tão ao gosto do séc. XVIII. Aqui se esperavam as audiências reais, se exibiam as joias e os vestidos ou se teciam as intrigas políticas e amorosas…
O Palácio do Rei e o da Rainha funcionavam separadamente, cada um com as suas cozinhas na cave, as despensas e ucharias no piso térreo, os quartos dos camaristas ou das damas no 1º piso, os aposentos reais no piso nobre e os criados nos mezaninos (sótãos). Para os príncipes estava destinado um palacete na extremidade nordeste do edifício e para as princesas outro a sudeste. Ambos funcionavam também separadamente. O palácio possui ainda dois carrilhões, mandados fabricar em Antuérpia e em Liège por D. João V, com um total de 98 sinos que pesam mais de 200 toneladas e constituem um dos maiores carrilhões históricos do mundo. Situada ao fundo do segundo piso, a biblioteca é a estrela do palácio, rivalizando em grandiosidade com a biblioteca da abadia de Melk na Áustria. Construída por Manuel Caetano de Sousa (1742 - 1802), tem 88 metros de comprimento, 9,5 metros de largura e 13 metros de altura. O magnífico pavimento é revestido de mármore rosa, cinzento e branco. As estantes de madeira em estilo rococó, situadas em duas filas laterais e separadas por um varandim, contêm milhares de volumes encadernados em couro, testemunhando a extensão do conhecimento ocidental dos séculos XIV ao XIX. Entre eles, muitas joias bibliográficas. Estes volumes magníficos foram encadernados na oficina local, também por Manuel Caetano de Sousa. Primitivamente decorado com tapeçarias flamengas, tapetes orientais e mobiliário para aqui encomendado, o Paço irá sofrer uma profunda modificação na época de D. João VI que encomenda uma campanha de decoração mural em várias salas, sob a responsabilidade de Cyrillo Volkmar Machado (1748 - 1823). Muitas dessas tapeçarias, quadros e mobiliário serão levadas pela Família Real para o Brasil em 1807, de onde não regressaram. Esta organização dos espaços manteve-se até à morte do rei consorte D. Fernando de Saxe-Coburgo, marido da rainha D. Maria II, quando toda a Família Real passou a habitar apenas o torreão e a ala sul, ficando o torreão norte reservado a hóspedes importantes que visitavam Mafra. A ala sul foi sofrendo algumas obras pontuais e de decoração, nomeadamente quando do casamento do rei D. Pedro V e D. Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, no reinado de D. Luís e D. Maria Pia de Sabóia e de D. Carlos e D. Amélia de Orleães. Foi também no torreão sul, que o rei D. Manuel II passou a última noite no reino, de 4 para 5 de Outubro de 1910, antes de partir para o exílio. Classificado como Monumento Nacional em 1910, foi um dos finalistas para uma das Sete Maravilhas de Portugal a 7 de julho de 2007.
 


                                            Palácio e convento de Mafra em pintura do século XVIII (col. priv.)

 
Interior da Basílica de Mafra durante um concerto de órgão (arq. priv.)
 

           Aspetos dos órgãos da Basílica de Mafra (arq. priv.)
                                                          

                                                  Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra (arq. priv.)


                                               Sala do trono no Palácio Nacional de Mafra (arq. priv.)


                                        Torre sineira com o carrilhão do Palácio Nacional de Mafra (arq. priv.)


                                              Sinos do carrilhão do Palácio Nacional de Mafra (arq. priv.)


                              Aspeto de aposento real no Palácio Nacional de Mafra ao gosto do séc. XIX (arq. priv.)


                                    Salão amarelo do Palácio Nacional de Mafra ao gosto do séc. XIX (arq. priv.)


                                     Aspeto do Palácio e Convento Nacional de Mafra na atualidade (arq. priv.)


                                                  Vista aérea do Palácio e Convento Nacional de Mafra (arq. priv.)
 
 
 
Deixe-se encantar pela riqueza da música ao longo da história nos espaços exclusivos do Palácio - Convento de Mafra, produzindo um equilíbrio harmónico nunca explorado...! O in’Musica chega de 27 a 29 de novembro a Mafra, com um programa musical inédito e sublime, que se destaca pela qualidade dos músicos e diversidade do ciclo de concertos temáticos proposto, explorando vários estilos e estéticas musicais em diferentes períodos da história. Viva momentos de profunda reflexão sobre o significado da música erudita, num lugar majestoso e mágico…
O in’Musica tem como principais objetivos a valorização cultural e musical de Mafra, ao dinamizar os espaços históricos do Palácio-Convento através da prática musical de qualidade; pretende refletir sobre a profundidade da música erudita, produzida ao longo da história; ser uma plataforma colaborativa entre artistas e intérpretes, dedicada ao desenvolvimento coletivo da música erudita em Portugal, nas suas múltiplas vertentes, posicionando-se como um evento musical de referência nesse contexto.

 
 

 
 
Porque Mafra é Música! Não perca!
 
 
Os concertos são de acesso gratuito, mas limitados à lotação das salas. Efetue a sua reserva para confirmar o seu lugar e dirija-se ao local do espetáculo até 20 minutos antes do seu início. A entrada para a Sala Elíptica e Sala dos Actos faz-se pela ala sul do Convento de Mafra, junto à Escola das Armas. A entrada para a Capela do Campo Santo faz-se pelo Palácio Nacional de Mafra (ala norte).

 
 
Informações e reservas:
919 580 569 | producao@incantarte.com | geral@culturcanto.com






Texto:
Paulo Nogueira e incant’arte

 
Fontes e bibliografia:

GOMES, Joaquim da Conceição. Descrição minuciosa do monumento de Mafra, ideia geral da sua origem e construção e dos objetos mais importantes que o constituem. Segunda edição, correta e aumentada com muitas notas e com uma notícia de Sintra, seus edifícios e arredores. Imprensa Nacional, Lisboa, 1871.
Sítio PNMAFRA


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

EFEMÉRIDES do dia 25 de novembro

 
Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres.
Santo do dia, Santa Catarina de Alexandria, virgem e mártir (Alexandria, Egipto, 287 d.C. - Alexandria, Egipto, 25 de novembro de 305 d.C.), é considerada a santa padroeira das irmãs de Santa Catarina, dos estudantes, dos filósofos e dos moleiros. Santa Catarina integra a relação dos 14 santos auxiliares da cristandade. Recentemente o papa Bento XVI recolocou a sua memória no calendário litúrgico mas como memória facultativa, mostrando claramente a fé da igreja católica na sua existência e intercessão.





Em Portugal


1510 - Afonso de Albuquerque conquista Goa.

 
 
 1638 - Nasce Catarina Henriqueta de Bragança (Vila Viçosa, Portugal, 25 de novembro de 1638 - Lisboa, Portugal, 31 de dezembro de 1705), foi infanta de Portugal, depois princesa da Beira e posteriormente, rainha consorte de Inglaterra e Escócia.

1845 - Nasce José Maria Eça de Queiroz (Póvoa do Varzim, Portugal, 25 de novembro de 1845 – Paris, França, 16 de agosto de 1900), foi diplomata português e um dos mais importantes escritores portugueses do século XIX, autor de "Os Maias", "O Primo Bazílio", " O Crime do Padre Amaro" e "A Ilustre Casa de Ramires", entre outros.



1920 – A designada "Tomada da Bastilha", em Coimbra, operação de assalto e ocupação do Clube dos Lentes, para ali ser instalada a futura Associação Académica.

1967 - Chuvas torrenciais caem sobre a região da Grande Lisboa, vindo a provocar na madrugada do dia seguinte grandes inundações que causaram mais de duzentos e cinquenta mortos e desaparecidos.



1975 - Há 40 anos um dispositivo militar, com base no Regimento de Comandos, opõe-se a uma tentativa de sublevação de unidades militares de extrema-esquerda. É decretado o estado de sítio em Lisboa. Registaram-se três mortos. Uma tentativa de Golpe de Estado que se transformou num processo revolucionário denominado PREC (Processo Revolucionário em curso).

 

1986 - O Estatuto de Évora Património Mundial é oficialmente reconhecido pela UNESCO.
 


1986 - Portugal é eleito para a comissão executiva do Comité Intergovernamental para as Migrações.

1993 - O pintor português Júlio Pomar recebe o Prémio Montaigne da Fundação FVS Hamburgo.



2004 - Começa o julgamento do processo Casa Pia, no Tribunal da Boa Hora. O Relatório do Conselho Científico aconselha a passagem da instituição a Fundação.

2006 - A judoca portuguesa Telma Monteiro, líder do ranking mundial de -52 kg sagra-se campeã europeia de judo sub-23.

2009 - Processo Face Oculta. O presidente da REN, José Penedos, é suspenso das funções na REN, por decisão do tribunal. O processo judicial de corrupção conta com mais um arguido, João Godinho, filho do empresário da sucata Manuel José Godinho, principal suspeito, e única em prisão preventiva, indiciado por associação criminosa, entre outros crimes.







No Mundo


1120 - Ocorre o naufrágio do White Ship, onde morre Guilherme Adelin herdeiro de Henrique I de Inglaterra.



1562 - Nasce Félix Lope de Veja y Carpio (Madrid, Espanha, 25 de novembro de 1562 - Madrid, Espanha, 27 de agosto de 1635), foi dramaturgo, autor de peças teatrais e poeta espanhol. Autor de "La Arcadia", "La Dragontea" e a célebre "Amarillis", entre outros.

1844 - Nasce o alemão Karl Benz (Karlssruhe, Alemanha, 25 de novembro de 1844 – Ladenburg, Alemanha, 4 de abril de 1929), vindo a ser mais tarde um famoso engenheiro, considerado o inventor do automóvel e fundador da marca Mercedes-Benz.

1875 - Há 140 anos o Reino Unido adquire o controlo do Canal do Suez, através da compra de 176.602 ações ao Egipto.



1915 - Há 100 anos o físico Albert Einstein, apresentou ao mundo a sua teoria geral da relatividade, sugerindo que matéria e energia deformam a geometria do espaço, formando o efeito de gravidade.



1936 - É assinado o Pacto Anti-Comitern, entre a Alemanha de Hitler e o Japão.

1961 - Três militantes da República Dominicana, as irmãs Mirabal, são assassinadas por ordem do ditador Rafael Trujillo. Em 1999, a Assembleia-Geral da ONU assinalou a data proclamando o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.



1974 - Morre U-Thant (Pantanaw, Burma, 22 de janeiro de 1909 - Nova Iorque, EUA, 25 de novembro de 1974), aos 65 anos, secretário-geral das Nações Unidas.

1977 - A Assembleia-Geral das Nações Unidas condena Israel pela ocupação dos territórios árabes.

 
 
1989 - "Revolução de Veludo" na Checoslováquia. Mais de meio milhão de pessoas, lideradas por Alexander Dubcek, dirigente da Primavera de Praga, em 1968, e por Vaclav Havel, chefe do grupo Novo Fórum, exigem a abertura à democracia.

1991 - Apenas 7 das atuais 12 repúblicas da URSS compareceram para se pronunciar sobre a transformação da URSS em URS (União das Repúblicas Soberanas), inviabilizando, por isso, o projeto do Mikhail Gorbachev.

 

1992 - Os estados membros da CEE emitem uma declaração exigindo a defesa dos direitos humanos em Timor-Leste.

1992 - O Parlamento da Tchecoslováquia aprova a separação do país em duas repúblicas, a República Checa e a Eslováquia.
                


1996 - É inaugurada a sede do Conselho Mundial da Água, em Marselha, França.

1998 - A Câmara dos Lordes considera "não válida" a imunidade diplomática do antigo ditador Augusto Pinochet, na resposta ao pedido de extradição da Audiência Nacional de Espanha, pela morte de cidadãos espanhóis durante o regime militar no Chile.



2006 - O antigo ditador chileno Augusto Pinochet assume a responsabilidade política por tudo o que fez durante o seu regime, entre 1973 e 1990.

2007 - Um tremor de terra com uma magnitude de 6,2 na escala de Richter provoca o pânico na ilha indonésia de Sumatra, onde a população sofreu vários sismos mortíferos nos últimos anos. Um segundo sismo, de 6,7 graus na escala de Richter, voltou a atingir a Indonésia, designadamente a ilha de Sumbawa. Os dois sismos causaram pelo menos três mortos e 45 feridos.



2008 - Morre Ángel Campos Pámpano (San Vicente de Alcántara, Espanha, 10 de maio de 1957 - Badajoz, Espanha, 25 de novembro de 2008), aos 51 anos, "vítima de complicações pós-cirúrgicas", no Hospital Universitário Infanta Cristina, em Badajoz. Poeta e tradutor espanhol grande defensor da cultura e literatura portuguesa. Galardoado com a edição 2008 do Prémio Eduardo Lourenço, atribuído pelo Centro de Estudos Ibéricos.

2011 - Eclipse solar parcial, visível na Antártica e na nova Zelândia. Foi o último dos quatro eclipses solares parciais do ano da 2011.
 
 
 
 
 

 

Texto:
Paulo Nogueira

 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

EXPRESSÕES POPULARES...

 




Muitas das expressões populares que utilizamos no dia-a-dia, têm uma razão de ser e por vezes significados que assentam em factos históricos, quer da nossa cultura quer da cultura mundial. Existem aquelas expressões muito portuguesas assim como outras traduzidas. Estas expressões acabaram por se enraizar na linguagem do dia-a-dia, de Norte a Sul do país, sendo usadas sem que se saiba por vezes a sua origem. As suas origens são controversas mas fundamentam-se em alguns factos, uns mais curiosos que outros, que aqui se irão relatar.


"A casa da mãe Joana", é uma expressão popular da língua portuguesa, usada também no Brasil e em países de expressão portuguesa. Significa um lugar sem organização, sem regras onde todos mandam, onde cada um se serve livremente e faz o que quer.

 
Como exemplos:

 
"Tire os seus sapatos de cima do meu sofá! O que pensa que isto é? Que isto aqui é a casa da mãe Joana?"


 "Entra gente e sai naquela casa a toda a hora, aquilo parece a casa da mãe Joana…"


A expressão "casa da mãe Joana" teve origem no século XIV, segundo alguns autores e foi criada graças a Joanna I (1326 – 1382), rainha de Nápoles e condessa de Provença. Esta monarca terá tido uma vida conturbada e em 1346 mudou de residência para Avignon, em França. Segundo esses autores afirmam, esta mudança ocorreu porque Joana se envolveu numa conspiração em Nápoles que resultou na morte de seu marido André, enquanto outros indicam que Joanna foi exilada pela Igreja por viver de uma forma sem regras e permissiva. Em 1347, quando tinha 21 anos, Joanna frequentou os bordéis da cidade onde vivia refugiada, criou certas regras para impedir que alguns frequentadores agredissem as prostitutas e saíssem sem pagar. Para as meretrizes, Joanna era como uma mãe e por isso os bordéis eram conhecidos como "casa da mãe Joana". Em Portugal, surge a expressão paço-da-mãe-joana, que era um sinônimo de prostíbulo. A expressou chegou ao Brasil e como "paço" não é uma palavra comum, foi mudado para "casa", e a expressão "casa de mãe Joana" passou a significar o lugar onde cada pessoa faz o que bem entende, sem respeitar nenhum tipo de normas. No caso do Brasil também, existe ainda uma versão que remonta à época do Segundo Império, em que os homens importantes tinham por habito frequentar os bordeis cariocas e um dos preferidos seria o de uma senhora chamada Joana. Surgiram ainda as derivações da expressão com o mesmo significado, nomeadamente em Portugal; "Ser o da Joana" ou "Casa da Maria Joana".


Rainha Joanna I 1326-1382, do manuscrito de Giovanni Boccaccio De mulieribus claris
                                                                                       (col. Bibliothèque Nationale de France)
                                               

                                                                    Representação da rainha Joanna I de Nápoles (col. priv.)


                                          Ambiente de bordel da época medieval com os respetivos banhos (col. priv.)


      Representação de bordel por Joachim Beuckelaer, 1562 (col. Walters Art Museum)
   

                                                                Ambiente de bordel de luxo em meados do séc. XIX (col. pess.)




"Cai o Carmo e a Trindade", é uma expressão popular portuguesa com origem como tantas outras na cidade de Lisboa, nomeadamente com o terramoto de 1755 (já desenvolvido em artigo anterior) e que se espalhou de norte a sul de Portugal. Significa um facto ou um acontecimento de grande impacto que provocam incredulidade ou, por ironia, factos sem importância dos quais se receiam consequências graves.


Como exemplos:


"Quando ele vir a desarrumação lá em casa cai o Carmo e a Trindade!"


"O barulho dos trabalhadores é tal que parece que cai o Carmo e a Trindade."

 
A expressão "Cai o Carmo e a Trindade" terá tido origem segundo alguns autores, com a destruição de dois conventos importantes da cidade de Lisboa com o terramoto de 1755. Os conventos do Carmo e da Trindade, eram antes do terramoto de 1755, dois dos mais importantes conventos do Bairro Alto lisboeta e por sua vez duas importantes áreas que constituíam a freguesia histórica do Sacramento. O convento da Trindade ou da Santíssima Trindade, fundado por D. Afonso II (1185 – 1223), em 1218, vindo a pertencer à Ordem dos Trinitários.  O grandioso e monumental convento do Carmo, fundado por D. Nuno Álvares Pereira (1360 – 1431), o Condestável de Portugal, em 1389, foi ocupado inicialmente por frades da Ordem dos Carmelitas da Antiga Observância. A expressão popular remete para o sismo de 1755, já que a zona da freguesia foi uma das mais prejudicadas, tendo esses dois conventos ruído, para grande desgosto e terror dos lisboetas perante a tragédia. Na manhã do dia 1 de novembro de 1755, ouviu-se um enorme estrondo durante o sismo, era manhã cedo e os dois conventos, tal como outros templos, estavam cheios de fiéis que assistiam à missa do Dia de Finados. Caíra o Carmo e a Trindade. Quando os habitantes descobriram qual tinha sido a causa de tal barulheira, terão gritado incrédulos: "Caiu o Carmo e a Trindade…" , e dai terá surgido a expressão popular "Cai o Carmo e a Trindade". Desses dois locais simbólicos, o antigo convento do Carmo, em que a igreja, ainda hoje se encontra praticamente como ficou depois do terramoto, tendo sido reconstruida uma ala do convento, mas interrompidos os trabalhos em 1834 aquando da extinção das ordens religiosas em Portugal. Na parte habitável do convento foi instalada em 1836 um quartel militar (atualmente pertencente à GNR) e em 1863 o Museu Arqueológico do Carmo, no restante espaço, onde se mantém até hoje. O convento da Trindade ainda foi reconstruido, tendo durado mais umas décadas, mas acabou por ser parcialmente destruído mais tarde em 1835, para a abertura da rua Nova da Trindade, tendo a CML dividido o espaço em lotes. No que restou do edifício e espaços contíguos, incluindo o antigo refeitório do convento, foi lá instalada desde 1836 a Fábrica de Cerveja da Trindade e mais tarde, a famosa Cervejaria Trindade, ainda hoje existente. A fachada e parte do interior do edifício, estão revestidas com alguns azulejos retirados das ruinas do mesmo convento assim como muita da cantaria antiga foi ai reutilizada.

 


     Representação de mapa toponímico do séc. XV vendo-se os conventos do Carmo e o da Trindade (col. priv.)
    
 

                                              Reconstituição da fachada do convento da Trindade por Alberto de Souza (col. pess.)



                                                        Reconstituição da fachada do convento do Carmo em Lisboa (col. pess.)
                                     

 
                                             Maquete do convento do Carmo (col. Museu da Cidade, Lisboa)
 

 
                            Lisboa antes e durante o terremoto de 1755 in gravura de Mateus Sautter séc. XVIII (col. priv.)
 
 
                                       Aspeto dos efeitos do terramoto e maremoto de 1755 em Lisboa (col. pess.)
 
                        
Largo e ruínas da igreja do convento do Carmo em meados do início do séc. XX (arq. AML)
                 
 
 
                                       Ruínas no interior da igreja do convento do Carmo na atualidade (arq. pess.)
                 
 
                                 Aspeto das ruínas e arcos góticos no interior da igreja do convento do Carmo (arq. pess.)
 
 
                                       Aspeto geral do convento do Carmo e o elevador de Santa Justa (arq. pess.)

 
     O antigo refeitório do convento da Trindade transformado em sala da cervejaria Trindade em 1938 (arq. priv.)
 
 
Aspeto do que restou do antigo convento da Trindade com painéis de azulejos do séc. XVIII
integrado na Cervejaria Trindade (foto Paulo Nogueira)
 
 
                                                         O que restou do antigo refeitório do convento da Trindade transformado
                                                                       em sala da Cervejaria Trindade na atualidade (arq. priv.)

 
                                             Entrada da Cervejaria Trindade na rua Nova da Trindade (arq. pess.)

 

 
 

Texto:
Paulo Nogueira

 

Fontes e bibliografia:

SANTOS, António Nogueira, Novos Dicionários de Expressões Idiomáticas, Edições João Sá da Costa, Lisboa
NEVES, Orlando, Dicionário das Origens das Frases Feitas, Lello & Irmãos Editores, Porto
DIAS, Marina Tavares, Lisboa Desaparecida, vol.  4 , Quimera Editores Lda, Lisboa 1994