terça-feira, 30 de agosto de 2016

A PONTE DE ALCÂNTARA







Alcântara, frequentemente associado ao vocábulo árabe al-quantãrã", "a ponte", a toponímia desde logo remete para a existência de uma ponte, hoje desaparecida, sobre a ribeira com o mesmo nome, Alcântara, dado portanto o nome à ribeira e a esta zona da cidade de Lisboa. A ribeira de Alcântara, de pequena extensão, que nasce na Brandoa, concelho da Amadora, e corre pelos vales da Falagueira, Benfica e de Alcântara para desaguar no Tejo, numa extensão total de cerca de 10 km. Trata-se de um curso de água que se desenvolve quase exclusivamente em meio urbano. O troço superior, conhecido como ribeira da Falagueira, corre a céu aberto, tendo sido requalificado em 2005 pela Câmara Municipal da Amadora. Esta ribeira entra em Lisboa nas Portas de Benfica e está atualmente canalizada em toda a extensão que compreende o concelho de Lisboa, desde 1967. Alcântara, local com colinas e vales, tinha recursos naturais existentes nas margens da sua ribeira e as terras férteis que permitiam uma agricultura rica e variada, com muitas hortas nos vales aluviais, cereais e vinhas, além de pedreiras de calcário, com fornos de cal, assim como moinhos de marés. Por tudo isto, desde de tempos muito remotos que é mencionada a existência de uma ponte em Alcântara, inicialmente seria construída em madeira, mas foram os romanos, quando dominaram a Península Ibérica, por volta do século III, que terão construído neste local, denominado Horta Navia (segundo uma divindade indígena romanizada), uma ponte em pedra, sólida e maciça, como era seu costume, aproveitando a presença no local de pedreiras calcárias. Foram igualmente todas estas condições que fizeram com que durante o período da ocupação muçulmana estes terrenos fossem ocupados de uma forma ainda mais dispersa. Esta ponte durante séculos cumpriu a sua função de limite da cidade, sendo a única passagem, junto à zona ribeirinha de Lisboa naquele local, para quem se deslocava para terras de Belém e Algés. Apesar da sua escassa importância urbanística, Alcântara é um local com história própria. Diz-se que D. Afonso Henriques (1109 - 1185), terá habitado aí nos primeiros tempos após a conquista de Lisboa. Foi também neste local, junto à velha ponte de Alcântara, quando tudo ali ainda eram campos e a ponte estava solitária, porque ficava num arrabalde despovoado pertencente à freguesia da Ajuda, que se deu a batalha entre D. António, Prior do Crato (1531 – 1595) e o Duque de Alba, D. Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel (1507 – 1582), que comandava as tropas de Filipe II de Espanha (1527 – 1598). Nesta batalha denominada também de Acção da Ribeira de Alcântara, o ataque das tropas do duque de Alba, iniciou-se às 7 da manhã do dia 25 de agosto de 1580. Foi nessa batalha ocorrida junto à ponte de Alcântara, na margem esquerda da ribeira, que as tropas de Filipe II de Espanha depois de duas tentativas falhadas, acabaram por derrotar as forças portuguesas, obrigando o Prior do Crato, ferido, a recuar para Lisboa meia hora após ter começado a batalha. Resultaram desta batalha 1.500 baixas entre mortos e feridos. Como resultado desta batalha o trono de Portugal ficou nas mãos da dinastia filipina durante sessenta anos, o que conduziu à subida ao trono de Filipe II de Espanha, I de Portugal. Foi como marco deste acontecimento histórico que em janeiro de 1923, foi dado o nome à antiga rua Direita do Livramento, existente naquele local, a rua Prior do Crato.


 

Parque Urbano da Ribeira da Falagueira na Amadora, na atualidade, perto da sua nascente (arq. priv.)
 


Ribeira da Falagueira e igreja de Nossa Senhora do Amparo em Benfica, em 1863 (arq. priv.)
 
 

Aspeto da ribeira de Alcântara ou da Rabicha sob o grande Aqueduto das Águas Livres
no início do séc. XIX (col. pess.)
 
 


 
 
 
 
Ponte em madeira idêntica à que terá existido sobre a ribeira de Alcântara antes do período romano
(arq. priv.)


 
 

Típica ponte romana em pedra idêntica à que existiu em Alcântara (arq. priv.)




Representação da Batalha de Alcântara em 25 de agosto 1580 (arq. Biblioteca Nacional de Lisboa)
                  
 
 

D. António, Prior do Crato 1531 - 1595 e o Duque de Alba, D. Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel 1507 - 1582 (arq. priv.) 

 
 
Desenho ilustrando a disposição das tropas aquando da batalha de Alcântara
 no local junto à ponte em 1580 (col. pess.)
 

 

Depois da restauração da independência de Portugal em 1640, o rei D. João IV dá ordens em 1650, para a elaboração de um projeto geral de fortificação, que irá definir as fronteiras da cidade de Lisboa até ao século XIX. O designado projeto da Linha Fundamental de Fortificação que foi elaborado pelos engenheiros militares Charles Legart, Jean Cosmander e Jean Girot. É no âmbito deste projeto, em 1652 que foram construídos os baluartes do Sacramento e do Livramento, formando assim uma cortina defensiva neste ponto, onde se encontrava uma das portas de entrada de Lisboa. Pelo facto de se tratar de um ponto importante de ligação da cidade de Lisboa ao exterior, pela orla ribeirinha, foi mais tarde, em 1662, por esta ponte de Alcântara que fez a travessia a comitiva da embaixada inglesa em Lisboa, pela ocasião do casamento de D. Catarina de Bragança com Carlos II de Inglaterra. Em 1727 a ponte de Alcântara media, segundo registos, 90 metros de comprimento e 6,20 metros de largura. Toda esta zona de Alcântara sempre pertencera ao designado Bairro do Mocambo, estava ligada a Santos, Ajuda, Belém, Barcarena, Algés e Oeiras. Era designado por lugar de Alcântara, sendo protegida de um crescimento sem planificação, através de um edital que proibia quaisquer construções antes que fosse traçada a planta de expansão da cidade.


 

                         Ponte de Alcântara representada em mapa de finais do séc. XVI início do séc. XVII (arq. priv.)
 
 

Travessia da ponte de Alcântara pela embaixada inglesa, na ocasião do casamento de
D. Catarina de Bragança com Carlos II de Inglaterra em 1662  (arq. CML)
 
 
 
Pormenor do painel de azulejos do  Palácio dos Condes de Tentúgal  séc. XVII com vista de Alcântara
(col. Museu do Azulejo, Lisboa)
 
 
 
 
Extrato topográfico de Alcântara e local da ponte em 1727 (arq. priv.)

 
 

Toda a região de Alcântara viu crescer a sua população assim como o número de casas, hortas e residências nobres no século XVIII, até que se formou um bairro, passando a freguesia por alvará régio de 25 de março de 1742, durante o reinado de D. João V. Este aumento de população obrigou, em 1743 a alargar a ponte de 6,20 metros para 13,50 metros. Esta ponte era formada por três arcos de volta inteira com um tabuleiro horizontal. O arco oriental, por se considerar desnecessário, foi entaipado, talvez já no século XVIII e o ocidental foi vedado em meados do século XIX. Para o lado sul do local da ponte e das suas rampas de acesso eram tudo águas do rio Tejo, que formava uma grande enseada, definida a poente pelas atuais rua 1º de maio e a de Alcântara e a nascente pela rua do Prior do Crato e travessa da Trabuqeta. É também nessa altura, 1743, que é colocada uma estátua da imagem de São João Nepomuceno, protetor dos navegantes, sobre o lado norte da ponte, estátua esta encomendada pelos moradores do bairro de Alcântara. A estátua feita em mármore, de estatura considerada colossal, foi uma obra do escultor italiano João António Bellini de Pádua (1690? - 1755?), tendo no plinto desta imagem um escudete com a seguinte inscrição:


 

 

S.JÓANNI
NEPOMUCENO
NOVO ORBIS THAUMATURGO
TERRAE AQUI IGNIS AERIQUE
IMPERANTI
ATQUE CUM ALIAS
TUM PRAESERTIUM IN ITINERE
MARITIMO
LUCULENTO SOSPITATORI SUO
GRATI ANIMI ERGO
HANC STATUAM POSUIT
CLIENS DEUOTISS,
M:DCC:XLIII.
 

JOÃO AN.TO D. PADOA A FES

Na tradução do latim: "A S. João Nepomuceno, novo taumaturgo do mundo, dominador de terra, do fogo, da água e do ar, e sobretudo aplacador dos mares, um seu devoto, reconhecido para com o seu protetor, ergueu esta estátua no ano de 1743 depois de salvo."
Conta a lenda que o escultor terá sido salvo de um naufrágio, atribuindo por isso o milagre àquele santo. As dimensões desta obra são: Plinto: 1,17x1,5 m de frente e 2,65 m de altura; estátua com a sua base: 3,35 m de altura, sendo a altura total 6 m. Esta estátua foi benzida solenemente em 8 de janeiro de 1744, com a presença da rainha D. Maria Ana de Áustria (1693 - 1754), mulher do rei D. João V de Portugal (1689 - 1750), acompanhada dos príncipes. Como curiosidade o escultor desta obra, João António Bellini de Pádua, teria nascido em Itália nos anos 90 do século XVII e terá morrido durante o grande Terramoto de Lisboa em 1755, visto que se desconhece o seu paradeiro a partir dessa data.



 
Ponte de Alcântara representada no painel de azulejos do Palácio dos Condes de Tentúgal séc. XVII
(col. Museu do Azulejo, Lisboa)
 
 
 
Imagem de  São João Nepomuceno da autoria de João António de Pádua
colocada na guarda norte da ponte Alcântara em 1743
foto Eduardo Portugal
(col. pess.)
 
 
 
Imagem de São João Nepomuceno no Museu Arqueológico do Carmo na atualidade
(foto Paulo Nogueira)

 
 
Escudete no plinto da imagem de São João Nepomuceno com inscrições em latim
 no Museu Arqueológico do Carmo 
(foto Paulo Nogueira)
 
 
 
 
Toda esta zona de Lisboa só começou a ter uma ocupação urbana a partir do século XVIII, numa altura em que dois importantes acontecimentos transformaram a cidade: o grande terramoto de 1755 (já desenvolvido em artigo anterior) e o início da industrialização. De salientar que a ponte de Alcântara resistiu, como outros monumentos e construções da cidade de Lisboa, ao grande Terramoto. Após o grande terramoto de 1755, os baluartes do Sacramento e da Livração, ficaram bastante danificados constituindo assim uma fragilização na cortina defensiva neste local da capital. No reinado de D. José I a ponte de Alcântara é modificada tendo sido alargada para o lado norte tendo sido construído um prolongamento e uma nova base para a colocação da imagem de São João Nepomuceno tendo sido colocados grades de proteção em bronze. Por sua vez o lado sul da ponte não foi alterado tendo-se mantido até 1826 com um candeeiro de iluminação publica do tipo cegonha a azeite, tendo este sido substituído por um candeeiro de coluna quando se fez a instalação da iluminação a gás na cidade de Lisboa. Os limites da cidade de Lisboa, definidos na altura do terramoto de modo a evitar a dispersão do tecido urbano, foram aumentados várias vezes ao longo do século XIX. Em Alcântara, este alargamento dos limites urbanos refletiu-se, no início de oitocentos, com a passagem das portas da cidade da Praça da Armada para o lado oriental da ponte de Alcântara, tendo sido construído o muro da circunvalação em 1846 e mais tarde aí colocados portões de ferro e guaritas para as guarnições militares. Em 1852 foram definidos novos limites fiscais da cidade com a concretização da Estrada da Circunvalação que alargava uma vez mais o perímetro urbano de Lisboa, marcando uma nova acessibilidade na cidade. A ponte de Alcântara marcava portanto esse limite fiscal da cidade, foi para isso construído junto ao lado sul da ponte um posto fiscal e do mesmo lado norte situava-se a casa da guarda e da apalpadeira. Os portões na ponte de Alcântara, como barreira da cidade, mantiveram-se até à entrada em vigor da nova linha de circunvalação de Lisboa, decretada em 1885 e 1886, talvez até 1903, ano em que deixou de se exercer naquele local fiscalização aduaneira.   Esta zona de Alcântara, era por excelência, uma zona de veraneio pelas suas características campestres, a rainha consorte D. Estefânia (1837 - 1859), mulher do rei D. Pedro V de Portugal (1837 - 1861), a propósito disso, descreve no seu diário, sobre o poético vale de Alcântara, e provavelmente sobre esta ponte, nas vésperas da era industrial: Duas vezes o Pedro e eu, inteiramente sós, ele à paisana, para ser menos conhecido, fomos passear para os lados do aqueduto do vale de Alcântara, e aí entrámos numa quinta pequena, com uma casa acinzentada, velha, de muros cobertos de trepadeiras, à beira de um rio que se atravessava pela ponte antiga, de pedra.




Planta topográfica de Lisboa e seus subúrbios, por José Fava em 1807 (a vermelho a localização da ponte)
(arq. AML)
 

Desenho da ponte de Alcântara por Luiz Gonzaga Pereira em 1826, com a imagem de São João Nepomuceno
                                                    e ainda o candeeiro de iluminação pública do tipo cegonha (col. pess.)
     
         



Extrato de planta da cidade de Lisboa e de Belém vendo-se a ponte
e a ribeira de Alcântara em 1837
(arq. BNP)



                                 Mapa da Circunvalação da cidade de Lisboa in Plantas Topográficas de Lisboa (arq. BNP)



Extrato de mapa topográfico com a Circunvalação de Lisboa de 1852
 in Plantas Topográficas de Lisboa
(arq. BNP)




Ponte de Alcântara em meados do séc. XIX já com a iluminação a gás e vendo-se os portões
que condicionavam o acesso à cidade de Lisboa e casas da guarda (arq, AML)



Pormenor dos portões que condicionavam o acesso à cidade de Lisboa na ponte de Alcântara
em meados do séc. XIX (arq, AML)
 


Ponte de Alcântara em 1862, por Nogueira da Silva in Archivo Pittoresco
 (arq. pess.)


 
 
Mas os tempos mudaram e a industrialização galopante nesta zona da capital durante o século XIX fizeram com que o caminho de ferro chegasse a Alcântara. Por volta de 1886 ou 1887, a guarda norte da ponte de Alcântara, já reduzida no seu comprimento a 33,7 metros, foi demolida para a construção da estação ferroviária de Alcântara-terra, da linha de caminho de ferro de Lisboa a Sintra e Torres Vedras da então Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses (tema a desenvolver em próximo artigo). Por essa ocasião foi retirada a estátua em mármore de São João Nepomuceno, que em 1889 foi mandada depositar pela Câmara Municipal de Lisboa no Museu Arqueológico do Carmo, onde ainda hoje se encontra e se pode visitar. Em 1888, a guarda sul da ponte de Alcântara, também já reduzida no seu comprimento a 48,7 metros, desapareceu quando se cobriu o que restava da ribeira de Alcântara, entretanto transformada em caneiro, para assentamento da via férrea, que ligaria a linha de Alcântara-Terra a Campolide com a de Alcântara-Mar na linha de Cascais. O arco maior da ponte, único que se conservava, corresponde ao eixo da via férrea e as cancelas da passagem de nível definem aproximadamente o local dos encontros do arco que ali existe soterrado. Com a demolição da guarda sul da ponte de Alcântara desapareceram os últimos vestígios da sua existência. Quem hoje atravessa a rua Prior do Crato para a rua de Alcântara, nem suspeita que está a passar por cima do arco soterrado de uma ponte, que teve séculos de existência e que foi testemunha de vários acontecimentos e episódios guerreiros ocorridos na sua vizinhança. O local da ponte de Alcântara, portanto, era na junção das atuais ruas de Alcântara e a do Prior do Crato e perpendicular à linha férrea que liga a estação de Alcântara-Terra e Alcântara-Mar pelo leito da rua João de Oliveira Miguens. Outra ponte virá a ser construída nesta zona da cidade de Lisboa, distante do local desta ponte, bem diferente, com outros objetivos e com outras características, como foi a ponte que passou a ligar as duas margens do rio Tejo, há 50 anos. A ponte Salazar ou mais tarde 25 de abril.
 
 
 
 
Página do Atlas da Carta Topográfica de Lisboa  n.º 47, mostrando a zona de Alcântara
e a ponte sobre a ribeira anterior a 1886 (arq. priv.)

 
                                                          Estação ferroviária de Alcântara - Terra em 1887 (col. pess.)
 
 
 
Imagem de São João Nepomuceno no Museu Arqueológico do Carmo 
na atualidade (foto Paulo Nogueira)
 
 
Passagem de nível da estação de Alcântara - Terra e ruas Maria Pia e Prior do Crato em 1914,
                                                                                           foto Joshua Benoliel (arq. AML)
 
         

      Vista geral do vale de Alcântara nos anos 30, foto Eduardo Portugal (arq. AML)


 
 Passagem de nível de  Alcântara - Terra e mercado em 1940, foto Eduardo Portugal (arq. AML)
                    

 
Local onde existiu a ponte de Alcântara na entrada da rua Prior do Crato e a passagem de nível
em meado dos anos 40, foto Eduardo Portugal (arq. AML)
 
 
 
 
Aspetos da rotunda de Alcântara durante as obras de acesso à ponte Salazar,
mais tarde 25 de Abril, em 1966 (arq. AML)
 
 
 
Imagem aérea de Alcântara e do local onde existiu a ponte sobre a ribeira,
atualmente subterrânea, assinalada a vermelho
(foto Google earth)
 
 
 
Imagem aérea do local onde existiu a ponte de Alcântara no cruzamento das ruas Prior do Crato
com a rua e largo de Alcântara (foto Google maps)
 
 
 
Cruzamento na passagem de nível entre a rua de Alcântara e a rua Prior do Crato onde se situava
a ponte sobre a ribeira na atualidade (local exato, marcas no chão) 
(foto Google earth)
 
 

Rua João Oliveira Miguens junto à passagem de nível em Alcântara,
sob a qual corre a ribeira na atualidade (arq. priv.)
 
   
Passagem de nível  no cruzamento para a rua Prior do Crato, na atualidade,
sob a qual existiu a ponte de Alcântara (arq. priv.)
 
 
 
Vista geral de Alcântara, do local onde existiu a antiga ponte
e a  ponte 25 de abril sobre o Tejo, na atualidade
(arq. priv.)
 






Texto:
Paulo Nogueira

 

Fontes e bibliografia:
Olisipo, boletim do Grupo de Amigos de Lisboa, ano V, nº 18, abril de 1942
DIAS, Marina Tavares, Lisboa Desaparecida, volume 2, Quimera editores, 1990
Blog Paixão por Lisboa
Publicação on line do Gabinete Histórico e Cultural Pampulha
 



segunda-feira, 15 de agosto de 2016

EFEMÉRIDES do dia 15 de agosto



Dia Internacional do Reiki.
Santo do dia, dia consagrado pelos católicos, ortodoxos e anglicanos à Assunção de Nossa Senhora. A festa da Assunção de Nossa Senhora, Maria Santíssima, Mãe de Jesus, é uma das mais antigas, pois já no ano de 600 d.C., a Igreja Católica festejava este dia de glória de Maria Santíssima. Terminado o seu tempo de vida terrestre, Maria, foi "assunta", isto é, levada ao céu em corpo e alma, segundo a tradição cristã, Ela não morreu, apenas "adormeceu". Narra a história também, que foram os anjos Gabriel e Miguel que A levaram ao céu. Deus queria conservar a integridade do corpo daquela que gerou o seu Filho. A festividade de hoje lembra como a Mãe de Jesus recebeu a recompensa das suas obras, dos seus sofrimentos, penitências e virtudes. O dogma da Assunção da Virgem Santíssima foi proclamado, solenemente, pelo papa Pio XII no dia 1º de novembro de 1950 e a sua festa é celebrada no dia 15 de agosto, sendo feriado em Portugal e em alguns países no mundo.







Em Portugal


1195 - Nasce Santo António de Lisboa (Lisboa, Portugal, 15 de agosto de 1191 ou 1195 – Pádua, Itália, 13 de junho de 1231), de sobrenome incerto, mas batizado como Fernando, foi doutor da Igreja. Após a sua morte e devido à sua fama de santidade, foi canonizado logo no ano seguinte, em 30 de maio, pelo papa Gregório IX.



1423 - Nuno Álvares Pereira entra para a Ordem do Carmo, no convento do Carmo, que mandara construir como cumprimento de um voto. Toma o nome de irmão Nuno de Santa Maria. Aí permanece até à sua morte, ocorrida em 1 de novembro de 1431, com 71 anos, rodeado pelo rei e os infantes.
 
1498 - Fundação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, pela rainha D. Leonor, viúva de D. João II e regente de Portugal, na ausência de D. Manuel I. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é fundada neste dia na capela de Nossa Senhora da Piedade ou da Terra Solta, nos claustros de Sé de Lisboa.
 

 
1505 - D. Francisco de Almeida conquista Mombaça e é escolhido para primeiro Vice-Rei da India.

1517 - Encontro da delegação portuguesa do capitão Fernão Pires de Andrade, com a embaixada chinesa, constituída por uma armada de sete navios portugueses, no estuário do rio das Pérolas. Tendo sido estabelecido neste encontro o primeiro contrato comercial entre a Europa Ocidental e a China.
 
 
 
1834 - Começa a primeira Legislatura constitucional, após a Guerra Civil. As cortes abrem no convento de São Bento da Saúde em Lisboa, a atual Assembleia da República.

1926 - Há 90 anos foi inaugurada a eletrificação da linha de caminho de ferro entre Lisboa e Cascais pela então Sociedade Estoril, companhia da sub-conseção. Foi a primeira linha de caminho de ferro electrificada em Portugal e uma das primeiras da Península Ibérica.

 

1948 - Nasce o português José Agostinho Baptista, (Funchal, ilha da Madeira, Portugal, 15 de agosto de 1948), virá a ser poeta contemporâneo e tradutor de importantes obras literárias estrangeiras. De entre as suas obras destaque para Deste Lado Onde, O Centro do Universo, Esta Voz é Quase o Vento, entre muitas outras.












No Mundo


1040 - O rei Duncan I ou rei de Alba, é morto em batalha pelo seu primo Macbeth, que o sucedeu como Rei da Escócia.



1185 - A cidade caverna de Vardzia é consagrada pela rainha Tamara I da Geórgia.



1430 - Francesco Sforza, duque de Milão, conquista Lucca na região da Toscana.

1519 - A cidade do Panamá é fundada por Pedro Arias Dávila, conhecido como Pedrarias Dávila. Fundada inicialmente com uma população de 100 habitantes e constituiu a primeira cidade permanente no Oceano Pacífico, vindo a substituir às anteriores cidades de Santa María la Antiga del Darién e Acla.

1534 - É fundada a ordem dos Jesuítas, a Companhia de Jesus, por um grupo de estudantes da Universidade de Paris, liderados pelo basco Íñigo López de Loyola, conhecido posteriormente como Inácio de Loyola. A Congregação foi reconhecida por bula papal em 1540. É hoje conhecida principalmente por seu trabalho missionário e educacional.



1537 - Fundação de Assunção, capital do Paraguai, pelo explorador espanhol Juan de Salazar y Espinoza.

1654 - Fundação de Sorocaba (São Paulo, Brasil) pelo bandeirante Baltasar Fernandes.

1769 - Nasce Napoleão Bonaparte (Ajaccio, França, 15 de agosto de 1769 – Santa Helena, 5 de maio de 1821). Virá a ser um líder político e militar durante os últimos estágios da Revolução Francesa. Adotando o nome de Napoleão I, conhecido como O Grande, foi coroado Imperador da França em 2 de dezembro de 1804. Através das guerras napoleônicas, ele foi responsável por estabelecer a hegemonia francesa sobre maior parte da Europa.



1771 - Nasce Walter Scott (Edimburgo, 15 de agosto de 1771 – 21 de setembro de 1832). Virá a ser o criador do verdeiro romance histórico. Foi autor, entre outras obras The Minstrelsy of the Scottish Border, The Antiquary, Ivanhoe, The Life of Napoleon Buonaparte.

1823 - Adesão do Pará à Independência do Brasil, um ano depois de o País se ter tornado independente de Portugal.



1824 - Escravos libertos do Estados Unidos fundam a Libéria. A sua fundação e colonização ocorreram com a ajuda de uma organização privada chamada American Society for Colonizing the Free People of Color of the United States, entre 1821 e 1824, na perspectiva de que os ex-escravos pudessem gozar de maior liberdade e igualdade. A Libéria é um dos dois únicos países da África Subsaariana, ao lado da Etiópia, sem raízes na disputa dos colonizadores europeus.
 
1863 - Começa a Guerra anglo-satsuma entre o Domínio de Satsuma do Japão e o Reino Unido.
 
1877 - Thomas Alva Edison fez a primeira gravação de voz, com a famosa rima infantil Mary had a little lamb.

 

1914 - É inaugurado oficialmente o Canal do Panamá. Foi considerado uma maravilha tecnológica. A complexa série de eclusas permitia até mesmo a passagem dos maiores navios da sua época. O canal foi um triunfo estratégico e militar importantíssimo para os Estados Unidos, e revolucionou os padrões de transporte marítimo.

1944 - Forças norte americanas e francesas desembarcam no sul de França, tendo ficado conhecida como a operação Anvil.

1945 - O Japão rende-se aos aliados, marcando assim o fim da Segunda Guerra Mundial. A rendição será assinada a 2 de Setembro.

 
 
 1947 - Independência da Índia e do Paquistão, depois de 200 anos sob o domínio britânico. Pandit Nehru lidera o governo indiano, Ali Khan, o paquistanês.


 
1948 - A Coreia é dividida em Coreia do Norte e a Coreia do Sul, separadas pelo paralelo 38º N.

1960 - A República do Congo declara a sua independência da França.

1964 - Os primeiros guerrilheiros da Frelimo entram em Moçambique, vindos de bases na Tanzânia, o ataque a Chai e à lancha Castor da Marinha Portuguesa, no rio Niassa, a 25 de setembro, marcam o início da guerra no território.



1965 - A banda The Beatles fazem a sua famosa apresentação no Shea Stadium (Nova Iorque). O concerto tomou grande repercussão na época pois foi o primeiro concerto de rock realizado num estádio aberto. O evento bateu o record de audiências com cerca de 55.600 pessoas presentes.

1968 - Uma ilha do arquipélago de das Celebes, na Indonésia, é tragada pelo mar, contando-se por centenas o número de mortos.

1969 - Abertura do Festival de Woodstock em Max Yasgur de Bethel, no Estado norte americano de Nova Iorque. Foi um festival de música realizado entre 15 e 18 de agosto de 1969.



2005 - É assinado um acordo de paz entre o governo da Indonésia e os rebeldes separatistas de Aceh.

2007 - Um terremoto abala o Peru, deixando pelo menos 500 mortos.

2013 - Horacio Cartes assume a presidência do Paraguai no lugar de Federico Franco, que sucedera o então presidente Fernando Lugo, afastado pelo denominado impeachment.










Texto:
Paulo Nogueira