sábado, 28 de janeiro de 2017

EFEMÉRIDES do dia 28 de janeiro


Dia Internacional da Privacidade de Dados, Dia de Ano Novo chinês.
Santo do dia, São Tomás de Aquino (Roccasecca, Campânia, Itália, 1225 - Fossanova, Itália,7 de março de 1274). Tomás era filho da família feudal italiana dos condes de Aquino, possuía laços de sangue com as famílias reais da Itália, França, Sicília e Alemanha, estando ligada à casa de Aragão. Ingressou no mosteiro beneditino de Montecassino aos cinco anos de idade, dando início aos estudos que não pararia nunca mais. Depois, frequentou a Universidade de Nápoles, mas, quando decidiu entrar para a Ordem de São Domingos encontrou forte resistência da família. Os seus irmãos chegaram a trancá-lo num castelo por um ano, para tentar mantê-lo afastado dos conventos, mas a sua mãe acabou por libertá-lo e, finalmente, Tomás pôde se entregar à religião. Tinha então dezoito anos. Não sendo por acaso a sua escolha pela Ordem de São Domingos, que trabalha para unir Ciência e Fé em favor da Humanidade. Este sempre foi seu objetivo maior. Lecionou em grandes universidades de Paris, Roma, Bologna e Nápoles e jamais se afastou da humildade de frei, da disciplina que cobrava tanto de si mesmo quanto dos outros e da caridade para com os pobres e doentes. Considerado o mais importante proponente clássico da teologia natural e o pai do tomismo. Sábios e políticos tentaram muitas vezes homenageá-lo com títulos, honras e dignidades, mas Tomás sempre recusou. Escrevia e publicava obras importantíssimas, frutos de seus estudos solitários desfrutados na humildade da sua cela, aliás seu local preferido. Os seus escritos são um dos maiores monumentos de filosofia e teologia católica. Tomás D'Aquino morreu muito jovem, sem completar os quarenta e nove anos de idade, no mosteiro de Fossanova, a caminho do II Concílio de Lion. Das suas obras, a principal, mais estudada e conhecida, a "Summa Teológica", foram a causa de sua canonização, em 1323. No dia 28 de janeiro de 1567, o papa São Pio V, deu-lhe o título de "doutor da Igreja", e logo passou a ser chamado de "doutor angélico", pelos clérigos. Em toda a sua obra filosófica e teológica tem primazia à inteligência, estudo e oração; sendo ainda a base dos estudos na maioria dos Seminários. Para isso contou, mais tarde, com o impulso dado pelo incentivo do papa Leão XIII, que fez reflorescer os estudos tomistas. A sua festa litúrgica é celebrada no dia 28 de janeiro ou no dia 07 de março. Os seus restos mortais estão em Toulouse, na França, mas a relíquia do seu braço direito, com o qual escrevia, encontra-se em Roma.

 
 
 
 
 
 
Em Portugal
 

1641 - Realizam-se as primeiras Cortes Portuguesas, após a Restauração da Independência de 1640.



1800 - Nasce António Feliciano de Castilho (Lisboa, 28 de janeiro de 1800 - 18 de junho de 1875). Virá a ser um escritor do período romântico português, polemista e pedagogista, foi inventor do designado Método Castillo de leitura. Aos 6 anos de idade ficou cego em consequência de sarampo, o que o impediu durante toda a vida de escrever e ler, tendo de estudar ouvindo a leitura de textos e sendo obrigado a ditar toda a sua obra literária. Foi o 1º conde de Castillo.



1898 - Morre Roberto Ivens (São Pedro, Ponta Delgada, Açores, Portugal, 12 de julho de 1850 - Dafundo, Oeiras, Portugal, 28 de janeiro de 1898), aos 48 anos. Foi oficial da Armada Portuguesa, administrador colonial e explorador do continente africano português.

1908 - Prisão dos republicanos Afonso Costa, Egas Moniz, João Chagas e António José de Almeida e de Luz de Almeida, chefe da Carbonária.

1916 - Nasce o escritor Vergílio António Ferreira (Gouveia, Guarda, Portugal, 28 de janeiro de 1916 - Lisboa, Portugal, 1 de março de 1996). Virá a ser professor e escritor, autor entre outras obras do romance "Manhã Submersa" em 1954 e "Aparição" em 1959. A sua vasta obra, geralmente dividida em ficção (romance e conto), ensaio e diário, costuma ser agrupada em dois períodos literários: o Neorrealismo e o Existencialismo. Em 1992, foi galardoado com o Prémio Camões.



1924 - Morre Joaquim Teófilo Fernandes Braga (Ponta Delgada, Açores, Portugal, 24 de fevereiro de 1843 - Lisboa, Portugal, 28 de janeiros de 1924), aos 80 anos. Foi escritor, político, filólogo, professor, militante Republicano, primeiro presidente do Governo Provisório da I República e segundo Presidente da República Portuguesa.

1975 - A assembleia do MFA sanciona a unicidade sindical, em Portugal.

1983 - Morre o cineasta português Eduardo Chianca de Garcia (Lisboa, Portugal, 14 de maio de 1898 - Rio de Janeiro, Brasil, 28 de janeiro de 1983), aos 85 anos. Foi um dramaturgo, jornalista e cineasta português dos século XX. No teatro fez a sua estreia com a peça "A Filha de Lázaro" em 1923 no Teatro Politeama em Lisboa, no cinema foi realizador entre outros filmes de "A Aldeia da Roupa Branca" em 1938. Colaborou em diversos jornais e revistas com crónicas de história e fundou a revista de cinema Imagem.



1988 - É aprovada na Assembleia da República, a lei que permite a reprivatização das empresas públicas de comunicação social.

1990 - A atleta portuguesa Rosa Mota, campeã olímpica, vence a maratona de Osaka, no Japão.

1995 - Torres Couto abandona a liderança da UGT sucedendo-lhe João Proença.



2000 - O Orçamento do Estado português sobe, em 20 % o investimento científico.

2003 - O Conselho Superior de Magistratura sugere a introdução de "uma indemnização punitiva, no caso de violação de direitos de personalidade, cometida através de televisão".

2004 - Os Prémios P. E. N. Clube Português de Ficção, Poesia, Ensaio e Primeira Obra são entregues a, respetivamente, Mafalda Ivo Cruz ("O Rapaz de Botticelli"), João Rui de Sousa ("Obra Poética"), Rui Estrada ("O Céu Aberto do Senso Comum") e Frederico Lourenço ("Pode um Desejo Imenso").
 
 
 
 2008 - Parte da frente ribeirinha de Lisboa passa a estar sob a gestão camarária, nos termos de um protocolo assinado entre o Governo e a autarquia. Aquelas áreas ribeirinhas não ficarão sujeitas à especulação imobiliária, permanecendo no domínio público.



2008 - Um caça F-16 da Força Aérea Portuguesa despenha-se próximo da Base Aérea de Monte Real quando realizava o primeiro voo de ensaio depois de ter sido submetido a uma grande operação de manutenção e não causou quaisquer vítimas.

2008 - A Linha do Tua reabre em toda a extensão, quase um ano depois do acidente em que morreram três ferroviários.







 

No Mundo
 

1547 - Há 470 anos, morre o rei Henrique VIII de Inglaterra (Greenwich, Inglaterra, 28 de junho de 1491 - Whitehall, Inglaterra, 28 de janeiro de 1547), aos 56 anos. Sucede-lhe ao trono no mesmo dia, o seu filho Eduardo VI.



1808 - Durante as invasões francesas, por carta régia promulgada pelo Príncipe-regente de Portugal D. João de Bragança, os portos do Brasil abrem-se ao comércio internacional com as nações amigas de Portugal, do que se beneficiou largamente o comércio britânico. Foi a primeira experiência liberal do mundo após a Revolução Industrial.

1887 - Há 130 anos, começava a construção da Torre Eiffel, em Paris, no local da Exposição Universal de 1890.



1887 - Há 130 anos nascia o pianista Arthur Rubinstein (Lodz, Polónia, 28 de janeiro de 1887 - Genebra, Suíça, 20 de dezembro de 1982). Virá a ser um pianista polaco de origem judaica, mais tarde naturalizado como cidadão norte americano. Considerado um dos melhores pianistas virtuosos dos século XX, foi aclamado internacionalmente pelas suas performances de Chopin e Brahms. Ganhou ao longo da sua carreira diversos prémios e Grammy's.

1909 - Termina o controle norte-americano de Cuba.

1915 - O presidente norte americano Woodrow Wilson veta a Lei da Imigração.



1930 - Em Espanha é o fim da ditadura de Primo de Rivera e o general Damaso Berenguer constitui novo governo.
 
1932 - Os japoneses ocupam Xangai e atacam, dando origem a um conflito que durou até maio de 1932 entre a República da China e o exercito do Império Japonês. Ficou também conhecido como o incidente de Xangai.
 
1939 - A Bulgária exige a revisão do Tratado de Neuilly e a reintegração das regiões perdidas no fim da Grande Guerra de 1914-18.



1945 - Durante a II Guerra Mundial, o  primeiro comboio norte-americano de abastecimentos atravessa a estrada de Burma.

1949 - Criação do Conselho da Europa com sede em Estrasburgo. A criação deste conselho surge na sequência do Congresso de Haia.
 
1958 - O dinamarquês Godtfred Kirk Christiansen,  filho do carpinteiro Ole Kristiansen, cria a patente das peças LEGO, com as quais se podem fazer infinitas montagens.

 
 
1979 - Primeira visita a Washington de um dirigente da China, o vice-primeiro-ministro Deng Xiao-Ping.
 
1980 - Abolhassan Bani-Sadr é eleito primeiro presidente da República Islâmica do Irão.

1985 - É gravado o tema "We ara the world" composta por Michael Jackson e Lionel Richie para a campanha de solidariedade USA for Africa, nos A&M Studios em Hollywood, Califórnia.



1986 - A nave espacial vaivém, Space Shuttle Challenger, explode no ar, matando os sete tripulantes, 73 segundos após o lançamento da missão STS-51-L.



1989 - A ocupação de Timor-Leste, foi condenada na assembleia paritária da ACP/CEE, em Bridgetown.

1991 - Corrupção no futebol francês leva à suspensão, por um ano, de Bernard Tapié, presidente do Olympique de Marselha e "patrão" da Adidas.


1993 - Agitação e pilhagem no Zaire, provocam centenas de mortos, a partida de dois mil estrangeiros e a morte do embaixador de França naquele país.



1996 - Morre Iosif Aleksandrovich Brodsky (Leningrado, URSS, 24 de maio de 1940 - Nova Iorque, EUA, 28 de janeiro de 1996), aos 55 anos. Foi um escritor de origem russa, expulso do seu país em 1972 e naturalizado norte americano. Foi professor universitário nos EUA e autor de diversas obras de poesia, ensaios e peças teatrais. Ganhou o Nobel da Literatura em 1987.

1997 - A Câmara de Deputados do Brasil aprova a emenda constitucional que permite a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.

2002 - Morre Astrid Anna Emilia Lindgren (Vimmerby, Suécia, 14 de novembro de 1907 - Vimmerby, Suécia, 28 de janeiro de 2002) aos 94 anos. Foi escritora de literatura infantil, com livros traduzidos em 85 idiomas em mais de 100 países. Autora entre outras obras de "Pipi das Meias Altas". De entre vários prémios que recebeu ao longo da sua carreira destaque para o Prémio Hans Christian Anderson de 1958.

 

2007 - O filme "Volver", do realizador espanhol Pedro Almodôvar, recebe o Prémio Goya para o Melhor Filme. O prémio Goya para a Melhor Intérprete Feminina vai para a actriz Penélope Cruz.
 


2007 - A longa-metragem norte-americana "Padre Nuestro", do realizador Christopher Zalla, conquista o Grande Prémio do Júri do Festival de Sundance, no Utah, considerado como a Meca do cinema independente.

2007 - Morre Karel Svoboda (Praga, Checoslováquia, atual República Checa, 19 de dezembro de 1938 - Praga, República Checa, 28 de janeiro de 2007), aos 68 anos. Foi compositor checo, músico da banda de rock "Mefisto" em 1950, mais tarde escreveu para o teatro. Foi, autor de bandas sonoras de séries de desenhos animados para o canal de TV alemão ZDF em 1970 como "A Abelha Maia" , "Viking" entre outras.



2008 - Morre Christodoulos (Xanthi, Grécia, 17 de janeiro de 1939 - Atenas, Grécia, 28 de janeiro de 2008), aos 69 anos. Foi arcebispo ortodoxo de Atenas e primaz de toda a Grécia desde 1998 até 2008.

2010 - Morre Jerome David Salinger (Nova Iorque, EUA, 1 de janeiro de 1919 - Cornish, New Hampshire, EUA, 28 de janeiro de 2010), aos 91 anos. Foi escritor norte-americano autor entre muitos outros do romance "À Espera no Centeio" ("Uma Agulha no Palheiro", na primeira tradução portuguesa de João Palma-Ferreira).







Texto:
Paulo Nogueira
 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

DO CALENDÁRIO JULIANO AO CALENDÁRIO GREGORIANO


 




Ano Novo Vida Nova! Estando ainda no início do novo ano e sendo época de mudança de calendário, vem a propósito perceber como evoluiu o calendário ao longo dos tempos, até ao que hoje conhecemos e pelo qual nos regemos. O homem desde a pré-história ficou deslumbrado pela sucessão dos dias e das noites assim como pelo desenrolar das fases da Lua. Terão sido estes fenómenos que conduziram às noções de dia e de mês. Já a noção de ano é menos evidente e terá sido só com o desenvolvimento da agricultura que os povos primitivos se aperceberam do ciclo das estações.
As pesquisas indicam que o primeiro calendário terá surgido na Mesopotâmia, por volta de 2700 a.C., provavelmente entre os sumérios (primeiros povos a habitar a Mesopotâmia), e foi aprimorado pelos caldeus (povo semita do sul da Mesopotâmia). O calendário possuía 12 meses lunares (entenda o sistema Sol-Terra-Lua), de 29 ou 30 dias, e serviu de base para o adotado pelos judeus. Como cada mês começava na Lua nova, o ano tinha 354 dias, ficando desfasado em relação ao calendário solar. Para resolver o problema, os caldeus acrescentavam um mês a cada três anos. O primeiro calendário solar terá sido criado pelos egípcios, em meados do terceiro milênio antes de Cristo. São, portanto, o dia, o mês lunar ou lunação e o ano os períodos astronómicos naturais utilizados em qualquer calendário. Os calendários primitivos do velho Continente, de que a História tem uma informação concreta, são por isso o hebreu e o egípcio. Ambos tinham um ano civil de 360 dias, curto para representar o ciclo das estações, mas grande para corresponder ao chamado "ano lunar", que se define como um período de tempo igual a 12 lunações completas existentes no ano trópico, ainda desconhecido. Nos primitivos calendários romanos, por exemplo, o ano tinha 304 dias distribuídos por 10 meses. Os 4 primeiros tinham nomes próprios dedicados aos deuses da mitologia romana e provinham de tempos mais remotos, em que, provavelmente, se aplicaram às 4 estações. Os 6 restantes eram designados por números ordinais, indicativos da ordem que ocupavam no calendário. O designado calendário de Rómulo foi reformulado por Numa Pompílius (753 a. C. - 673 a. C.), homem sábio e religioso, segundo rei de Roma, o qual, seguindo o exemplo dos gregos, estabeleceu o ano de 12 meses dedicados aos principais deuses pagãos, mas introduzindo em primeiro lugar o mês de Januarius, dedicado a Jano, e em último lugar o mês de Februarius, dedicado a Februa, ao qual os romanos ofereciam sacrifícios para expiar as suas faltas de todo o ano. Este foi o motivo por que o mês de Februarius foi colocado no fim. Até o ano 46 a. C., vigorava em Roma um calendário dividido em 355 dias, distribuídos em 12 meses. Essa estrutura do ano civil sofria um sério desajuste ao longo do tempo. Assim as estações do ano passavam a ocorrer em datas diferentes, porque o calendário não correspondia ao ano solar. As calendas, no antigo calendário romano, eram o primeiro dia de cada mês quando ocorria a Lua Nova. Havia três dias fixos: as calendas, as nonas (quinto ou sétimo dia, de acordo com o mês) e idos (13.º ou 15.º dia, conforme o mês). Dos idos é que provém a expressão "nos idos de setembro", expressando uma data para a segunda metade do mês.

 



O dia, a noite e as estações do ano por Stuart Ritchie
(col. pess.)

 

O pôr do Sol e o nascer do dia, um mistério para o homem primitivo (foto Paulo Nogueira)



Sol sobre o Stonehenge, durante o solstício de inverno (arq. priv.)



Imagem do deus sumério Sol, Shamash, representado numa parte de uma tabuleta Babilónica de Sippar,
datada de 870 a.C. (col. British Museum, Londres)



Antigo calendário egípcio no templo de Karnak (arq. priv.)




Calendários hebreu e egípcio (col. priv.)
 



 Numa Pompilius 753 a.C. - 673 a.C. (col. priv.)



 
Forma de representação do calendário de Rómulo em pedra,
designado de "varas", dos séculos III ou IV a.C.
(col. priv.)
 
 
 
Calendário agrícola romano de Rómulo talhado em pedra do séc. VI a. C.
 (col. Museo della Civilta Romana, Roma)
 
 


Inscrição e descrição do calendário romano de Rómulo
com a presença dos meses de Januarius e Februarius 
(arq. priv.)




No ano 46 a.C., o imperador Júlio César (100 a. C. - 44 a. C.), ditador da República Romana, na qualidade de pontífice máximo do Império, decidiu reformar o calendário para readequá-lo ao tempo natural. Nesse ano Júlio César, percebendo que as festas romanas marcadas para março (que era então o primeiro mês do ano), estavam a ocorrer em pleno Inverno, também pela falta da introdução de meses intercalares nos últimos 10 anos, preparou uma profunda reforma do calendário, seguindo de forma prática o modelo do calendário egípcio, com o conselho do astrónomo grego Alexandrino Sosígenes, da escola de Alexandria. Este foi chamado para que examinasse a situação e o aconselhasse nas medidas que deveriam ser adotadas. Estudando o problema, Alexandrino Sosígenes observou que o calendário romano estava adiantado de 67 dias em relação ao ano natural ou ciclo das estações. Para desfazer essa diferença, Júlio César ordenou que naquele ano (708 de Roma, ou 46 a.C.), além do Mercedonius de 23 dias que correspondia intercalar naquele ano, fossem adicionados mais dois meses, um de 33 dias, outro de 34 dias, entre os meses de November e December. Resultou assim um ano civil de 445 dias, o maior de todos os tempos, único na história do calendário e conhecido pelo nome de Ano da confusão, pois, devido à grande extensão dos domínios de Roma e à lentidão dos meios de comunicação de então, nalgumas regiões a ordem foi recebida com tal atraso que já havia começado um novo ano. Foi então abolido o calendário lunar dos decênviros e adotou-se o calendário solar, ficando conhecido por Juliano, de Júlio César, começando a vigorar no ano 709 de Roma (45 a.C.), mediante um sistema que devia desenrolar-se por ciclos de quatro anos, com três comuns de 365 dias e um bissexto de 366 dias, a fim de compensar as quase seis horas que havia de diferença para o ano trópico. Suprimiu-se o Mercedonius e Februarius passou a ser o segundo mês do ano. Consequentemente, os restantes meses atrasaram uma posição, além da que já haviam atrasado na primeira reforma do calendário romano anterior designado de Rómulo reformulado por Numa Pompílio, com a consequente falta de sentido dos meses com designação ordinal. O valor médio do ano passou a ser de 365,25 dias e o equinócio da primavera deveria ocorrer por volta de 25 de março. A reforma juliana melhorou a situação, mas a desfasamento entre o ano do calendário e o ano natural permanecia, em consequência do movimento de elipse que a Terra faz ao redor do Sol. O calendário Juliano sofreu algumas modificações ainda mais em 8 d.C., pelo imperador Augusto (63 a.C. - 14 d. C.), e os nomes dos meses sofreram ainda várias mudanças ao longo do Império Romano. No século XV, por exemplo, o calendário Juliano já estava atrasado cerca de uma semana em relação ao Sol. O equinócio da primavera no Hemisfério Norte caía por volta de 12 de março, em vez do dia 21. Como já referido os nomes dos meses foram dedicados aos deuses pagãos romanos, e que foram conservados em outros idiomas até à atualidade, assim:


- Janeiro: Jano, deus romano de duas faces, considerado deus das portas, um "porteiro celestial", das passagens, inícios e fins. Daí justamente a entrada e início do ano.


- Fevereiro: Fébruo, deus etrusco da morte; Februarius (mensis), "Mês da purificação" em latim, parece ser uma palavra de origem Sabina (tibo da região da Península Itálica) e o último mês do calendário romano anterior a 45 a. C.. Relacionado com a palavra "febre".


- Março: Marte, deus romano da guerra. Neste mês começa a primavera no Hemisfério Norte, que era considerada uma ótima época para iniciar campanhas militares.


- Abril: O seu nome deriva do latim April, que significa abrir, numa referência à germinação das culturas. Outra hipótese sugere que seja derivado de Apro, o nome etrusco de Vénus, deusa do amor e da paixão. Além de ser o único mês que termina com "L" ao invés de "O"


- Maio: Maia Maiestas e Flora, deusas romanas que acreditavam ser responsáveis pela primavera e o crescimento das flores.


- Junho: Juno, deusa romana, esposa do deus Júpiter. Considerada a protetora da família e dos partos. Também pode ter derivado do clã romano junius.


- Julho: Julius Caesar, (Júlio Cesar), general romano. O mês era anteriormente chamado Quíncio, ou quintilius, o quinto mês do calendário de Rómulo. Séculos depois foi rebatizado em homenagem ao imperador Julius Caesar que tinha sido assassinado.


- Agosto: Augustus, (Augusto), primeiro imperador romano. O mês era anteriormente chamado Sêxtil ou sextilis, o sexto mês do calendário de Rómulo. Também foi rebatizado em homenagem ao imperador Augustus.


- Setembro: Septem, "sete" em latim; o sétimo mês do calendário de Rómulo.
Mantido nos calendários posteriores.


- Outubro: Octo, "oito" em latim; o oitavo mês do calendário de Rómulo. Mantido nos calendários posteriores.


- Novembro: Novem, "nove" em latim; o nono mês do calendário de Rómulo. Mantido nos calendários posteriores.


- Dezembro: Decem, "dez" em latim; o décimo mês do calendário de Rómulo. Mantido nos calendários posteriores.



Também os dias da semana merecem uma especial referência, nomeadamente na língua portuguesa, devido à liturgia católica por iniciativa de Martinho de Dume (518 d.C. - 579 d.C.), bispo de Braga e de Dume, que denominava os dias da semana da Páscoa com dias santos em que não se deveria trabalhar, originando os nomes litúrgicos. E considerando como indigno de bons cristãos que se continuasse a designar os dias da semana pelos nomes latinos pagãos de Lunae dies, Martis dies, Mercurii dies, Jovis dies, Veneris dies, Saturni dies e Solis dies, foi o primeiro a usar a terminologia eclesiástica Feria ou Feira (dia santo ou feriado), para os designar por (Feria secunda, Feria tertia, Feria quarta, Feria quinta, Feria sexta, Sabbatum, Dominica Dies), donde surge nos modernos dias na língua portuguesa (segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo), caso único entre as línguas novilatinas, dado ter sido a única a substituir inteiramente a terminologia pagã pela terminologia cristã. Isto porque até o século XV em Portugal, era falado um português arcaico, usando-se nomes de origem pagã. Tais nomenclaturas não chegaram a fazer parte da língua portuguesa. Observa-se a semelhança dessa espécie de "português arcaico" com outras línguas novilatinas e também identificação semântica com algumas línguas germânicas. Na nomenclatura pagã, como já referido, cada dia era dedicado a um astro ou a um deus que variava de acordo com a mitologia local de cada cultura e que foram conservados em outros idiomas até à atualidade, assim:


- Segunda-feira: Dia da Lua. Logo depois do Sol e sempre no céu, era a Lua a impressão mais forte recebida pelo homem. Influía nas marés, no plantio, no corte das madeiras, talvez mesmo no nascimento das crianças segundo alguns. Daí a atribuir-lhe um dia da semana.


- Terça-feira: Dia de Marte. Na escala dos poderes que governavam os céus, as trevas e os seres humanos, Marte pontificava. Era considerado o senhor da guerra e, portanto, dos destinos dos povos a das nações. A sua influência era tão grande que, inclusive, no calendário romano lhe foi destinado um mês (Março).


- Quarta-feira: Dia de Mercúrio. Era considerado o deus do comércio, dos viajantes e até dos ... ladrões! Mensageiro e arauto de Júpiter, protegia os comerciantes e os seus negócios, dada a importância que estas criaturas tiveram em todos os tempos e em todos os lugares, alcançaram para o seu deus a consagração de um dia da semana.


- Quinta-feira: Dia de Júpiter. Honra conferida ao pai dos deuses pagãos, comandante dos ventos e das tempestades. Daí a ideia de lhe atribuir um dia da semana, talvez para acalmar a sua fúria.


- Sexta-feira: Dia de Vénus. Nascida da espuma do mar para distribuir belezas pelo mundo, a deusa Vénus representava para os pagãos os ideais da formosura, da harmonia e do amor. Daí a razão de merecer a homenagem de um dia da semana.


- Sábado: Dia de Saturno. Saturno, deus especialmente querido dos romanos, foi despojado, pelo uso e pelo tempo, da homenagem consistente em dar nome a um dia da semana. No Império Romano eram celebrados grandes festejos em sua honra as designadas Saturnais, realizadas em dezembro e que se prolongavam por vários dias. Mas a homenagem a Saturno, correspondente a um dia da semana, perdeu-se nas línguas latinas, em que se deu preferência ao termo hebraico Shabbath, que significa repouso, indicado na velha lei judaica como sendo o dia dedicado ao descanso e às orações. Mas a língua inglesa permaneceu fiei ao velho Saturno, chamando ainda ao seu sábado Saturday.


- Domingo: Dia do Senhor. Dia dedicado ao Sol, o astro-rei que era tudo para o homem primitivo. O Sol afastava as trevas, aquecia os corpos, amadurecia as colheitas. O Sol era como se simbolizasse Deus, daí a designação de Dia do Senhor entre os latinos.



Na Península Ibérica embora se usa-se o calendário Juliano desde a conquista pelo Império Romano, vigorou, desde o século V, a chamada "era de Espanha" ou Hispânica, Gótica, de Augusto ou de César, usada nos mais antigos documentos dos arquivos portugueses, sob as formas sub era ou in era. Começava no dia 1 de janeiro do ano 38 a.C., ano 716 da fundação de Roma, e comemorava a conquista definitiva da península pelos romanos e a introdução nela do calendário Juliano. Procede 38 anos ao ano de nascimento de Cristo. O primeiro da era cristã coincide com o ano 39 da era de Espanha. Para converter, pois, a era de Espanha ou de César à era Cristã é preciso tirar daquela 38 anos. Em Portugal, o rei de D. João I (1357 - 1433), no decreto Régio 22 de agosto do ano da Era Juliana de 1460, ordenou que daí em diante se passasse a usar o ano do nascimento de Cristo como ano do começo ou referência, substituindo assim a era de César. Assim, o dia a seguir ao decreto régio, deixaria de ser o 16 de agosto de 1460 da Era Juliana para ser o 16 de agosto de 1422 da Era de Cristo. Esta mudança já tinha sido efectuada em Aragão em 1350, Leão e Castela em 1383. O início da Era Cristã, usada pela maioria dos povos europeus ou que foram por estes colonizados, foi fixada em 25 de dezembro do ano do Nascimento de Cristo, ou seja o ano 753 da fundação de Roma. Em alguns documentos portugueses encontra-se também a era – anno a Passione – cujo ponto de partida é posterior 33 anos à era cristã. Até ao século XIV, o ano novo começava em 25 de março, dia em que se celebra a Anunciação à Virgem Maria e a Incarnação. Era ou estilo da Incarnação ou Anunciação. Foi também adoptada na Idade Média, algumas vezes, a era ou estilo da Páscoa, variável pela mobilidade desta festa. A Era ou estilo da circuncisão começava no dia 1 de janeiro. No entanto, nos séculos XIV, XV e XVI usaram-se, indiferentemente, as datas de 25 de dezembro ou de 1 de janeiro para começo do ano, embora esta última tivesse predominado. Contudo, o hábito de utilizar a era Juliana ou Hispânica persistiu durante décadas e ainda Gomes Eanes Zurara (1410 - 1474), a menciona na Crónica da Tomada de Ceuta, dando-lhe a data de 1453 (1415 DC). O calendário romano Juliano, perdurou durante todo o período da Idade Média. Servindo como um mapa do ano para a igreja Católica durante esse período. Enquanto seguia o método do calendário romano na determinação das datas, também enumerava os dias dos santos assim como outras festas religiosas e registava as fases da Lua. Muitos calendários também incluíam ilustrações relacionadas aos santos, festas, trabalhos mensais agrícolas, atividades de lazer e sinais do zodíaco. Neste contexto surgem os famosos calendários agrícolas descrevendo as actividades referentes a cada mês do ano.
 

 
  
Júlio César 100 a. C. - 44 a. C., imperador romano
(col. Museus da História da Arte de Viena, Áustria)
 
 
 
Representação de festas romanas pagãs do mês de março (col. priv.)
 
 
 
 
Calendário Juliano talhado em pedra do séc. I d. C. em Veroli, Itália
(arq. priv.)

 
 
Mosaico representando um calendário agrícola Juliano da casa de Thysdrus,
da primeira metade do séc. III d.C.
(col. Museu de Arqueologia de Sousse, Tunísia)

 
 
 
Fragmento de calendário romano Juliano de  Verrius Flaccus proveniente da Palestina do séc. VI d. C.
(col. Museu Nacional de Roma)

 
 
 
Calendário Juliano
 



Representação simbólica pagã dos meses do ano (arq. priv.)




                                                   
                                                         Calendário Juliano e seu significado


 


Representação simbólica pagã dos dias da semana (arq. priv.)





Primeira referência escrita conhecida referente à Segunda-feira, datada de 618 d. C.  
( Igreja de São Vicente, Braga)

 
 
 
Rei D. João I de Portugal 1357 - 1433
(col. Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa)
 
 
 
 
Representação do calendário perpétuo Juliano do período medieval (col. pess.)
 
 
 
 
Calendário agrícola de um manuscrito de 1306 por Pietro de Crescenzi (col. priv.)



Calendário medieval Juliano do séc. XV com representação solar, do zodíaco e agrícola
 (col. Biblioteca de Berlim)

 
 
Calendário medieval inglês Juliano de 1425 representando os dias, meses, fases da Lua, santos 
assim como prognostico e símbolo do mês (col. priv.)




Em 1545, o Concílio de Trento determinou a realização de alterações no calendário da Igreja. Para isso reuniram um grupo de especialistas, formando uma comissão de reforma, para estudar e corrigir o calendário Juliano. A Comissão preparou um documento, o Compendium, em 1577, enviado no ano seguinte aos Príncipes e matemáticos para darem o seu parecer.
O objetivo da mudança era fazer regressar o equinócio da Primavera para o dia 21 de março e desfazer o erro de 10 dias existente na época. Neste grupo, constituído pelos melhores astrónomos e matemáticos da época, de entre eles teve um papel preponderante o célebre sábio e matemático, o padre jesuíta Christopher Clavius (1538 - 1612), que estudou matemática em Coimbra com o português Pedro Nunes (1502 - 1578). Após 5 anos de estudos e cálculos astronômicos, o papa Gregório XIII (1502 - 1585), instituiria o novo calendário em 1582, mediante a bula "Inter Gravissimas", a fim de adequar a data da Páscoa ao equinócio da primavera no Hemisfério Norte. É em homenagem a este papa, Gregório XIII, que o novo calendário foi chamado de Gregoriano. A bula pontifícia também determinava regras para impressão dos calendários, com o objetivo de que eles fossem mantidos íntegros e livres de falhas ou erros. Era proibido a todas as gráficas com ou sem intermediários, publicar ou imprimir, sem a autorização expressa da Santa Igreja Romana, o calendário ou o martirológico em conjunto ou separadamente, ou ainda de tirar proveito de qualquer forma a partir dele, sob pena de perda de contratos e de uma multa de 100 ducados de ouro a ser paga à Sé Apostólica. O não cumprimento desta lei punia ainda o infrator a pena de excomunhão, designada de latae sententiae e a outras tristezas, como consta na mesma bula. Oficialmente o primeiro dia deste novo calendário foi a 15 de outubro de 1582. Este ajuste implicou a supressão de 10 dias do mês de outubro daquele ano, ou seja, do dia 5 de outubro de 1582, quinta feira, saltou-se para o dia 15 de outubro, sexta feira. Além disso, os dias bissextos que caíssem nos anos centenários (aqueles terminados em 00, como 1700, por exemplo) passariam a ser ignorados, a menos que fossem divisíveis de modo exato por 400 (como 1600 e 2000). Essa regra suprimia três anos bissextos a cada quatro séculos, deixando o calendário Gregoriano suficientemente preciso e eliminando o atraso de três dias a cada 400 anos, que ocorria no calendário Juliano. Apesar do ajuste nos anos bissextos, o ano do calendário Gregoriano ainda tem cerca de 26 segundos a mais que o período orbital da Terra. Esta falha, no entanto, só acumula um dia a mais a cada 3.323 anos. O calendário Gregoriano apresenta alguns defeitos, tanto sob o ponto de vista astronómico (estrutura interna), como no seu aspecto prático (estrutura externa). Por exemplo, o número de dias de cada mês é irregular (28 a 31 dias), para além disso a semana, adotada quase universalmente como unidade laboral de tempo, não se encontra integrada nos meses e muitas vezes fica repartida por dois meses diferentes, prejudicando a distribuição racional do trabalho e dos salários. Outro problema é a mobilidade da data da Páscoa, que oscila entre os dias 22 de março e 25 de abril, perturbando a duração dos trimestres escolares e de numerosas outras atividades econômicas e sociais. Por essa razão, vários investigadores pertencentes a várias igrejas ou organismos internacionais e mesmo privados se têm ocupado activamente da reforma do calendário.
 


 
 

Concílio de Trento, Congregação Geral por Elia Naurizio em 1633
(col. Museu Diocesano Tridentino, Trento)
 


Comissão de reforma do calendário Juliano pelo papa Gregório XIII em 1582
(Archivio di Stato di Siena, Collezione delle Tavolette di Biccherna)

 
 
Christopher Clavius 1538 - 1612 figura de destaque no estudo
do calendário Gregoriano (col. priv.)
 
 
 

Papa Gregório XIII 1502 - 1585 (col. priv.)



Bula papal "Inter Gravíssimas" reportada na obra
Calendarium Gregorianum Perpetuum  
de Christopher Clavius
(col. Biblioteca Nazionale Centrale di Firenze)
 
 

Documento informativo sobre a reforma Gregoriana do calendário Juliano
por Vincenzo Accolti em 1582 (col. priv.)
 
 
 
 
Correcção do calendário Juliano para o Gregoriano de 1582
(col. priv.)
 
 


Calendário Gregoriano de 1584 por Domenico Basa (col. priv.)




                                                              Calendário Gregoriano






Logo em 1582, países católicos como a Itália, a Espanha, Portugal e a Polônia adotaram a mudança imediatamente para o novo calendário Gregoriano, assim como a porção católica dos Países Baixos.
Em Portugal, onde reinava Filipe I de Portugal, II de Espanha (1527 - 1598), foi ordenado saber que cinco localidades portuguesas serão das primeiras a ser informadas que o mês de outubro vai ser encurtado. No dia da publicação, o chanceler-mor do reino Simão Gonçalves Preto foi incumbido de afixar, de imediato, uma cópia da lei nas portas dos paços reais e da Câmara de Lisboa, informando: "E outros tais traslados se fixarão nas portas das cidades de Évora, Coimbra, e Porto, e da Vila de Santarém. E assim enviará logo com muita diligência os mais traslados que foram necessários passados pela dita maneira, aos corregedores das comarcas, ouvidores dos mestrados, e aos ouvidores das terras, mando que os publiquem nos lugares onde estiverem e nos mais das suas comarcas e ouvidorias para que a todos seja notório."
Na França, o rei Henrique III (1551 – 1589), decretou o ajuste no mesmo ano, mas só em dezembro. A adoção deste calendário pela Suécia em 1699, foi de tal forma problemática que até gerou o dia 30 de fevereiro. Os países de maioria protestante, porém, rejeitaram a alteração de calendário. As partes protestantes da Germânia, atual Alemanha assim como os Países Baixos, só adotaram o novo calendário em 1700. A Grã-Bretanha, predominantemente anglicana, demorou mais, só o adotando em 1752. O astrônomo Johannes Kepler (1571 - 1630), chegou a observar que esses países preferiram "ficar em desacordo com o Sol a ficar de acordo com o papa". Como curiosidade, em 1792, é criado o calendário Revolucionário Francês ou calendário Republicano, pela Convenção Nacional, durante o período revolucionário para simbolizar a quebra com a ordem antiga e o início de uma nova era na história da humanidade. O calendário tinha características marcadamente anticlericais e baseava-se no ciclo da natureza. Este calendário só vigorou de 22 de setembro de 1792 a 31 de dezembro de 1805, quando Napoleão Bonaparte (1769 - 1821), ordenou o restabelecimento do calendário Gregoriano, e também durante a Comuna de Paris, de 18 de março a 28 de maio de 1871. Foi retomado desde então o calendário Gregoriano até à atualidade. Os países ortodoxos adotaram o calendário Gregoriano somente no início do século XX. A China aprovou-o em 1912, a Bulgária em 1916. Na Rússia, por exemplo, a recém-criada União Soviética implantou o novo calendário em 1918. É por isso que a chamada "Revolução de Outubro", de 1917, na verdade aconteceu em novembro, segundo o calendário Gregoriano. Na Europa, os últimos países que adotaram o calendário Gregoriano foram a Roménia em 1919, a Grécia, em 1923, e a Turquia, em 1926. Antes, como parte do Império Otomano, seguia-se nessas regiões o calendário muçulmano, que tem base lunar. A adoção progressiva do calendário Gregoriano pelos diversos países, mesmo dentro do mundo cristão, provoca certa confusão na datação dos eventos históricos ocorridos entre os séculos XVI e XX. Alguns povos, no entanto, conservam em paralelo outros calendários para usos religiosos ou por questões de tradição. O ano de 2017 no calendário Gregoriano corresponde, por exemplo, ao ano de 2561 no calendário budista; a 5777–5778 no calendário hebraico; a 2073–2074 no calendário hindu Vikram Samvat; a 1939–1940 no calendário hindu Shaka Samvat; a 5118–5119 no calendário hindu Kali Yuga; a 1395–1396 no calendário iraniano ou Jalali e a 1438–1439 no calendário islâmico. Até hoje, as Igrejas ortodoxas do Oriente utilizam o calendário Juliano para determinar a data da Páscoa, que, por essa razão, quase nunca corresponde à data da Páscoa católica. Por uma questão prática, o calendário Gregoriano é hoje adotado como convenção para demarcar o ano civil em praticamente todo o planeta. Essa unificação, que facilita o relacionamento entre os países, deve-se em grande parte à exportação histórica dos padrões europeus para o resto do mundo.

 Um Bom Ano!




Filipe I de Portugal e II de Espanha 1527 - 1598
(col. Museu do Prado, Madrid)
 
 

Primeira página da lei de Filipe I, rei de Portugal,
assinada em Lisboa a 20 de setembro de 1582
para a adoção do calendário Gregoriano
 (arq. Torre do Tombo, Lisboa)

 


À esquerda, o cabeçalho da lei assinada por Filipe I rei de Portugal, em 1582
e à direita o da lei assinada por Filipe II de Espanha em 1582
para a adoção do calendário Gregoriano em ambos os países
 (arq. Torre do Tombo, Lisboa)




Página do primeiro calendário Gregoriano
para o mês de outubro de 1592
(arq. priv.)


 

Páginas de almanaque sueco de 1712 com o calendário Gregoriano e a referência ao dia 30 de fevereiro
 (col. priv.)




Calendário Revolucionário Francês ou Republicano de 1749
por Philibert-Louis Debucourt
(col. priv.)


Correspondências do calendário Revolucionário Francês ou Republicano  
com o calendário Gregoriano (col. priv.)
 



Três capas de edições do Kalendarium Gregorianum Perpetuum, ou Calendário Gregoriano Perpétuo,
Coimbra 1853, Cracóvia 1853 e Veneza 1852 (col. priv.)
 



Calendário Gregoriano de 1883 norte americano com publicidade
(col. pess.)
 


Calendário Gregoriano de 1896 inglês em forma de leque do período victoriano (col. pess.)





Calendário hebraico do século XIX (col. priv.)





Calendário Gregoriano perpétuo em estanho de secretária
apresentado o dia 23 de janeiro
(col. pess.)




                                             Calendário Gregoriano português para 2017
 







Texto:
Paulo Nogueira





Fontes e bibliografia:

BOND, J.J., Handy Book of Rules and Tables for Verifying Dates within the Christian Era,Russell & Russell, a Division of Atheneum House Inc, 1966
SERRÃO, Joaquim, Veríssimo, HISTÓRIA DE PORTUGAL, vol. II Formação do Estado Moderno, [1415 - 1495]. Editorial Verbo, Lisboa, 1979
MOYER, G., Luigi Lilio and the Gregorian reform of the calendar, 1982
DUNCAN, D. E. Calendário: a epopeia da humanidade para determinar um ano verdadeiro e exato. Rio de Janeiro. Ediouro. 1999
MOTOMURA, Marina, Porque os dias da semana têm "feira" no nome?, Colec. Mundo Estranho, Abril Cultural, 2011
Origem e evolução do nosso calendário por Manuel Nunes Marque publicação on line